Jairo Jorge deixou rastro de destruição no Ensino de Canoas

A administração municipal de Sapucaia do Sul demonstrou grande coragem, ou inconsequência, quando entregou ao ex-prefeito de Canoas, Jairo Jorge, a titularidade da secretaria de Educação até o primeiro semestre deste ano,  até ele se afastar para poder concorrer à prefeitura canoense. Apesar da experiência do político como gestor no Executivo, a Educação foi uma das feridas mais expostas durante toda a sua gestão à frente da Prefeitura de Canoas. Falta de professores, déficit de vagas crescente na Educação Infantil e escolas sucateadas são alguns problemas graves da gestão do então petista que necessitam de textos individuais para serem apresentadas, tamanha a complexidade dos temas e o transtorno que estes pontos causaram aos munícipes durante oito anos.

No entanto, três pontos básicos, e de fácil explicação, demonstram que Jairo Jorge demonstrou não ter capacidade de fazer uma gestão adequada na área da Educação. Ao errar no plano de carreira dos professores, comprar uniformes com sobrepreço e de fornecedor envolvido em escândalos e ainda passar anos sem prestar contas da merenda escolar, o ex-prefeito demonstrou incapacidade de lidar até com o mais  básico relacionado ao ensino público.

Carreiras achatadas

Jairo teve uma chance de ouro nas mãos, já que os professores municipais ansiavam por um novo plano de carreira e, foi na sua gestão que este projeto se concretizou. Só que ao contrário do que os profissionais da Educação esperavam, o plano trouxe um achatamento entre os salários de profissionais graduados e não graduados. O problema só foi se agravando à medida que o ex-prefeito fazia ajustes.

Por exemplo, ao decidir pagar o piso nacional para os educadores que não o recebiam ainda, os demais profissionais foram desconsiderados. Desta forma, a diferença salarial entre quem tinha e quem não tinha

graduação caiu de 33% para 12%, causando descontentamento em uma parcela significativa de uma categoria que já vinha seno castigada pelo então governo petista.

Uniformes superfaturados

Foi também na área da Educação que Jairo conseguiu transformar outra boa ideia em escândalo municipal. O ex-prefeito propagandeia que instituiu os uniformes para alunos na rede municipal, mas nunca cita

que foi processado pelo Ministério Público devido a indicativos de superfaturamento na compra das peças de vestuário. A ação civil pública movida pelo MP, indica que o dano ao erário, com a compra superfaturada dos uniformes, pode ter ultrapassado a marca de R$ 3,4 milhões entre os anos de 2010 e 2011.

Em anos seguintes, Jairo firmou contrato com a empresa Nilcatex, que produzia os uniformes no Paraguai e já enfrentava problemas com a justiça em quatro Estados, quando passou a ser a fornecedora das peças para os alunos canoenses. Quando foi contratada, a empresa já tinha sido destaque na revista Istoé, em uma reportagem que revelava seu envolvimento com um cartel de fornecedoras de uniformes para escolas

públicas em São Paulo. O esquema na qual a fornecedora estava inserida na região Sudeste envolvia pagamento de propina e financiamentos de campanhas eleitorais. Como o caso repercutiu nacionalmente, é remota a possibilidade de que a então administração petista não soubesse do histórico de seu fornecedor.

Merenda obscura

Um dos pontos que Jairo mais bateu em seu antecessor, Marcos Ronchetti, foi a gestão da merenda escolar. Prometeu mudar tudo, revolucionar e dar transparência ao valor investido na compra de alimentos para as crianças. Não foi isso que aconteceu. 

Em maio de 2015, o então presidente do Conselho Municipal de Alimentação Escolar, Ademir Ambrósi Oliveira, foi a público para informar que desde 2011 o governo Jairo Jorge não prestava contas sobre os recursos federais destinados à Merenda Escolar. Até aquele momento, o valor das contas não prestadas já ultrapassava a quantia de R$ 12 milhões. Nos primeiros meses daquele ano o Conselho visitou oito escolas para ter uma amostragem de como estava a situação da merenda. 

Em quatro delas foram diagnosticados problemas no armazenamento, na refrigeração ou na qualidade dos alimentos. Na ocasião, o Conselho buscou o Ministério Público para expor a situação, uma vez que considerou esgotadas as possibilidades de diálogo com a administração municipal liderada por Jairo Jorge.

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