Trocar o fogão a gás pode ter efeito semelhante a medicamentos no controle da asma

Nos Estados Unidos, mais de 33% das residências utilizam fogões a gás natural para cozinhar.

A combustão do gás natural resulta na liberação de dióxido de carbono, um dos principais agentes responsáveis pelas alterações climáticas, além de emitir dióxido de nitrogênio e outros poluentes que afetam a qualidade do ar interior e podem causar irritação nos pulmões. Aqueles que sofrem de problemas respiratórios, como os 28 milhões de americanos diagnosticados com asma, são particularmente suscetíveis. Uma revisão de mais de 40 estudos demonstrou uma correlação entre a presença de dióxido de nitrogênio e o agravamento dos sintomas asmáticos.

Um estudo recente examinou se a troca dos fogões a gás por modelos elétricos poderia contribuir para um melhor gerenciamento da asma.

Pesquisa

A investigação envolveu 85 indivíduos, entre adultos e crianças, que tinham asma difícil de controlar e residiam em lares com fogões a gás. O controle da condição asmática foi medido através de questionários que abordavam sintomas, limitações nas atividades diárias e utilização de medicamentos emergenciais.

Os fogões a gás foram retirados, as tubulações vedadas e substituídos sem custo por fogões elétricos de indução, escolhidos por serem mais eficientes, seguros e simples de limpar. Dois a três meses após essa mudança, os participantes responderam novamente ao questionário. Além disso, os níveis de dióxido de nitrogênio no ambiente foram monitorados antes e depois da troca.

Sintomas

Após a substituição dos fogões, as melhorias observadas foram equivalentes ou até superiores às verificadas em pesquisas que avaliaram medicamentos para asma. Em média, os participantes relataram uma redução nos sintomas moderados para leves. As visitas ao pronto-socorro e internações diminuíram em 70%, enquanto as ausências no trabalho e na escola caíram aproximadamente 80%. Os níveis internos de dióxido de nitrogênio também mostraram uma redução significativa de 70%.

Os dados sugerem que a troca dos fogões a gás pelos elétricos pode ter um impacto positivo considerável no controle da asma. Ademais, 98% dos participantes expressaram satisfação com os novos fogões de indução, em contraste com apenas 41% que estavam contentes com os modelos a gás.

No entanto, o estudo apresentou algumas limitações: o número reduzido de participantes e o curto período de acompanhamento não incluíram pessoas com sintomas leves nem contaram com um grupo comparativo que continuasse utilizando os fogões a gás.

Desafios potenciais

O custo da substituição ainda é um obstáculo significativo, especialmente para famílias com menor renda. Em residências americanas mais novas, um fogão elétrico com instalação chega a custar aproximadamente US$ 1.500. Como muitas das casas envolvidas na pesquisa eram antigas, foi necessário investir em média US$ 7.000 por residência para adequar a infraestrutura elétrica.

Cabe destacar que a economia gerada pela redução das internações hospitalares pode justificar programas públicos ou iniciativas por parte dos planos de saúde para apoiar essa transição. Nos países em desenvolvimento, além do custo inicial elevado, instalações elétricas inadequadas e redes energéticas instáveis dificultam essa mudança.

No Equador, entre 2015 e 2021, um programa governamental subsidiou a troca de fogões a gás por modelos elétricos em cerca de 750 mil lares — representando aproximadamente 10% das residências do país — associada à diminuição das hospitalizações devido a doenças respiratórias.

A mudança do tipo de fogão não substitui o tratamento convencional da asma nem beneficia todos os pacientes. O acompanhamento médico adequado, o uso correto dos medicamentos e a minimização da exposição a outros alérgenos — como fumaça do tabaco, ácaros ou pólens — continuam sendo essenciais.

Apesar disso, cerca de 80% dos participantes notaram uma melhora significativa em suas condições respiratórias, sugerindo que essa substituição pode ser uma estratégia complementar eficaz para aqueles que enfrentam dificuldades no controle da asma. Médicos podem informar seus pacientes sobre os riscos relacionados ao uso dos fogões a gás enquanto construtoras e proprietários devem considerar esses fatores ao escolher equipamentos para cozinhas comerciais.

By Canoas Informa

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