Câncer de próstata: 48 homens perdem a vida diariamente no Brasil; detectar a doença cedo aumenta significativamente as chances de tratamento eficaz.

Lito Sousa, um influenciador e especialista em aviação de 59 anos, recebeu um diagnóstico de câncer de próstata após realizar exames de rotina. Ele decidiu investigar mais a fundo após notar alterações nos níveis de PSA, resultando na confirmação da presença de um adenocarcinoma com agressividade intermediária. A opção de tratamento escolhida foi a cirurgia, visto que a doença ainda se encontrava restrita à próstata.

Em uma publicação nas redes sociais, Lito compartilhou sua experiência e destacou que sempre manteve acompanhamento médico, incluindo a realização do toque retal. Apesar disso, os exames anteriores não haviam conseguido identificar o tumor.

“Sempre cuidei da minha saúde e realizo exames rotineiramente, inclusive aquele que muitos homens evitam. Mesmo assim, o check-up não detectou antes o que descobri recentemente”, declarou.

O câncer de próstata geralmente não apresenta sintomas em suas fases iniciais. O diagnóstico muitas vezes ocorre devido a pequenas alterações em exames regulares ou durante investigações adicionais.

Ainda que as chances de cura sejam elevadas quando diagnosticado precocemente, o câncer de próstata continua a ser um sério problema de saúde pública. Dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) indicam que 17.587 homens faleceram em decorrência dessa doença no ano de 2024, o que corresponde a uma média de 48 óbitos por dia. Nos últimos dez anos, a taxa de mortalidade aumentou em 21%.

Quando identificado antes da disseminação para outros órgãos, as taxas de cura podem ultrapassar 90%.

Frequência

No Brasil, o câncer de próstata é o tipo mais comum entre os homens, excluindo-se os casos de câncer de pele não melanoma.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) prevê cerca de 71,7 mil novos diagnósticos anualmente no país. Embora a maioria dos casos ocorra após os 50 anos, tem-se observado um aumento na incidência entre pacientes mais jovens.

Informações do Ministério da Saúde revelam que as consultas relacionadas à doença em homens com menos de 49 anos cresceram 32% entre 2020 e 2024, passando de 2,5 mil para 3,3 mil atendimentos realizados pelo SUS.

O urologista Rafael Ambar, do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), acredita que esse aumento reflete um maior acesso ao diagnóstico precoce.

“Esse crescimento indica que os homens estão procurando atendimento mais cedo, o que é encorajador. Mais exames e diagnósticos resultam em maiores oportunidades para cura”, afirmou.
De acordo com Roberto Gil, diretor-geral do INCA, o aumento dos casos registrados se relaciona principalmente ao envelhecimento populacional e à ampliação do acesso aos testes diagnósticos.

A próstata é uma glândula situada abaixo da bexiga e tem como função produzir parte do líquido seminal.

O câncer ocorre quando as células dessa glândula começam a se multiplicar descontroladamente. Muitas vezes esse crescimento é lento e pode permanecer restrito à próstata por longos períodos.

O adenocarcinoma é o tipo mais frequente desse câncer e foi o mesmo diagnosticado em Lito Sousa; ele se origina nas células glandulares da próstata e compreende a maioria dos casos registrados.

Um dos principais desafios é que nas fases iniciais o tumor raramente causa sintomas evidentes.

“O câncer prostático tende a ser silencioso. Quando aparecem sintomas, normalmente já está em estágio avançado”, explica Luiz Otávio Torres, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia.

Caso surjam sinais clínicos, estes podem incluir:

  • dificuldade para urinar;
  • fluxo urinário fraco ou intermitente;
  • sangue na urina ou no sêmen;
  • dores ao urinar;
  • dores nos ossos, especialmente na coluna e quadris.

Tais sintomas também podem estar associados a condições benignas da próstata; portanto, apenas um profissional médico pode determinar sua causa correta.

Diagnóstico

Nenhum exame isolado pode confirmar ou descartar o câncer de próstata.

O teste PSA é uma análise sanguínea que mede uma proteína produzida pela glândula prostática. Alterações nos níveis dessa proteína podem estar ligadas ao câncer ou a outras condições benignas da próstata ou inflamações.

A avaliação por meio do toque retal permite verificar o tamanho e consistência da próstata e identificar nódulos que nem sempre elevam os níveis do PSA.

Caso haja suspeita da doença, o urologista geralmente solicita uma ressonância magnética multiparamétrica para localizar áreas anormais. A confirmação do câncer é realizada através da biópsia, um procedimento onde pequenos fragmentos da próstata são coletados para análise laboratorial.

Homens com histórico familiar positivo para câncer de próstata devem discutir com um urologista sobre iniciar rastreamento aos 40 anos; já aqueles sem esse histórico costumam começar essa avaliação aos 45 anos considerando sua idade e outros fatores relevantes.

Tratamento

A abordagem terapêutica varia dependendo da agressividade do tumor, idade do paciente e extensão da doença no momento do diagnóstico.

No caso de tumores classificados como baixos riscos, alguns pacientes podem optar pela vigilância ativa sem necessidade imediata de tratamento intensivo.

Quando o tumor permanece restrito à região prostática, as opções principais incluem cirurgia para remoção total da próstata ou radioterapia como alternativas viáveis.

Para os casos em que há metástase para outros órgãos, as opções terapêuticas podem envolver hormonioterapia combinada com quimioterapia ou medicamentos modernos como bloqueadores hormonais avançados e radiofármacos destinados a retardar a progressão do câncer e melhorar a sobrevida dos pacientes afetados.

“É uma doença cuja resposta ao diagnóstico precoce é bastante efetiva. O acompanhamento regular é fundamental para salvar vidas”, conclui Maurício Cordeiro, coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da Sociedade Brasileira de Urologia.

By Canoas Informa

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