A síndrome que provoca a menopausa nos homens: saiba mais sobre essa condição que atinge até 20% da população masculina

A menopausa, que geralmente acontece entre os 45 e 55 anos, representa o fim da fase reprodutiva nas mulheres. Os sintomas mais frequentes incluem ondas de calor, também conhecidas como fogachos, além de alterações emocionais e físicas, como irritabilidade, ansiedade, oscilações de humor, ganho de peso e insônia. No entanto, é um equívoco acreditar que os homens não enfrentam uma etapa semelhante.

Nos homens, essa fase é denominada DAEM (Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino) ou andropausa. Contudo, médicos e especialistas preferem evitar o termo andropausa, pois essa condição se desenvolve gradualmente a partir dos 40 anos e, ao contrário da menopausa, não implica numa interrupção definitiva.

Esse fenômeno é caracterizado pela diminuição progressiva dos níveis de testosterona no organismo e ocorre naturalmente com o envelhecimento.

O presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, Roni de Carvalho Fernandes, destaca que após os 40 anos, a maioria dos homens começa a perder cerca de 1% da testosterona total anualmente. No entanto, alguns podem apresentar perdas mais acentuadas devido a condições de saúde ou estilo de vida.

Entre os sintomas primários da DAEM estão a diminuição do desejo sexual e a perda de energia — afetando desde atividades simples como ir ao shopping até relações sexuais e uma aversão em sair de casa. Muitas vezes esses sinais podem ser confundidos com o início de uma depressão. Também são comuns a irritabilidade, flutuações de humor, distúrbios do sono e até mesmo episódios de fogachos.

A deficiência de testosterona impacta não apenas o desejo sexual; ela está relacionada à diminuição da concentração, força reduzida e comprometimento da qualidade cognitiva.

Fernandes acrescenta que muitos homens experimentam ganho de peso e redução na massa muscular sem conseguir recuperá-la. Esse aumento ponderal torna-se mais desafiador. Associado às transformações físicas e emocionais, pode haver indícios iniciais de depressão em alguns casos.

Os níveis normais de testosterona total no sangue variam entre 300 a 1.000 ng/dL. No entanto, especialistas enfatizam que esses números servem apenas como referência laboratorial e podem variar conforme idade, sexo e tipo de teste realizado (testosterona total ou livre).

Testosterona

A especialista em geriatria e reposição hormonal Rebeca Filgueiras ressalta que embora o tratamento principal para essa síndrome envolva a reposição hormonal, é fundamental avaliar a qualidade de vida do homem antes de qualquer intervenção. Quando um paciente apresenta baixos níveis de testosterona no consultório, diversas questões devem ser consideradas.

É importante investigar se ele fuma ou consome bebidas alcoólicas regularmente, se dorme bem, mantém uma alimentação equilibrada, pratica exercícios físicos regularmente e sua vida sexual ativa. Além disso, devem ser realizados exames para identificar possíveis doenças metabólicas como diabetes, obesidade ou hipertensão que possam afetar a produção hormonal.

Dentre os exames solicitados está aquele que avalia a qualidade da testosterona no corpo do paciente. A testosterona total mede a quantidade circulante no sangue; por outro lado, a testosterona livre é aquela que realmente exerce funções nas células do coração, cérebro ou músculos.

By Canoas Informa

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