Um estudo realizado pela Universidade de Liège, na Bélgica, revela que um tipo específico de microdespertar durante o sono pode estar ligado a uma maior predisposição genética para a doença de Alzheimer e a alterações na memória ao longo do tempo.
A investigação acompanhou 540 indivíduos por um período que chegou a sete anos. Os resultados indicaram que adultos de meia-idade que apresentavam “microdespertares” frequentes durante o sono tinham mais chances de possuir marcadores genéticos relacionados ao aumento do risco de desenvolver Alzheimer.
Entre esses marcadores, destaca-se o gene APOE4, que está associado a um aumento de 60% na probabilidade de diagnóstico da doença aos 85 anos.
É importante ressaltar que os “microdespertares” são parte normal do ciclo do sono; pessoas saudáveis costumam experimentar várias dessas interrupções durante a noite, muitas vezes sem perceber.
Metodologia do estudo
Os cientistas utilizaram eletroencefalograma (EEG) para registrar a atividade elétrica cerebral dos participantes em um ambiente controlado. Dos 540 indivíduos analisados, 453 eram jovens com idades entre 18 e 31 anos, enquanto 87 eram adultos com idades variando de 50 a 69 anos. Os voluntários mais velhos realizaram uma série de testes cognitivos para medir sua memória, atenção e funções executivas.
A principal meta da pesquisa foi identificar os chamados arousals, que são pequenas oscilações repentinas na atividade cerebral durante o sono que não necessariamente levam a pessoa a acordar completamente.
Entre os adultos de meia-idade, uma maior frequência desses microdespertares noturnos foi ligada a um risco genético elevado para o desenvolvimento da doença de Alzheimer. O coautor do estudo, Dr. Puneet Talwar, especialista em sono da Universidade de Liège, comentou: “Esses microdespertares não devem ser considerados irrelevantes”.
No entanto, apesar das descobertas sugerirem uma possível correlação entre os microdespertares e fatores relacionados à doença de Alzheimer, ainda não está claro se essas alterações no sono têm um papel direto no surgimento da condição.
O pesquisador afirmou: “Determinados perfis podem favorecer o acúmulo de proteínas ligadas à doença de Alzheimer e estão associados a uma maior vulnerabilidade”.
