Descubra o número ideal de amigos para alcançar a felicidade em sua vida

A quantidade ideal de amigos tem sido tema de debate, especialmente após a pandemia, que intensificou essa discussão. Meu marido e eu mantemos apenas um ou dois amigos íntimos, além de nossos irmãos e dois filhos, que demandam grande parte da nossa atenção. Para mim, como uma introvertida, esse número parece suficiente, quase excessivo. No entanto, meu marido é extrovertido e percebo que ele anseia por mais interações sociais à medida que gradualmente reativamos nossa vida social.

Estudos apontam que o número de amizades está em declínio, tendência que se acentuou durante a pandemia. Há trinta anos, apenas 3% dos entrevistados pela Gallup declararam não ter amigos próximos; já em 2021, esse percentual subiu para 12%. Aproximadamente um ano após o início da pandemia, 13% das mulheres e 8% dos homens entre 30 e 49 anos relataram ter perdido contato com a maioria de seus amigos.

Essas mudanças têm repercussões na saúde geral das pessoas. A amizade desempenha um papel crucial no bem-estar mental e emocional, enquanto a solidão e o isolamento social — embora distintos — estão associados a um risco maior de problemas como depressão, ansiedade, doenças cardíacas e derrames. Uma meta-análise amplamente citada realizada em 2010 por Julianne Holt-Lunstad, especialista em psicologia da Universidade Brigham Young em Utah, revelou que a solidão pode ser tão prejudicial à saúde física quanto fumar 15 cigarros diariamente.

“É uma indagação natural. Assim como existem diretrizes sobre a qualidade do sono e níveis de atividade física, essa questão também é relevante para a saúde”, comenta Holt-Lunstad sobre o número “ideal” de amizades.

Embora pesquisadores reconheçam a escassez de estudos específicos sobre quantos amigos devemos buscar, as pesquisas existentes indicam que ter entre três e seis amigos íntimos pode ser considerado o ideal.

Pesquisa

Para aqueles que desejam reduzir os efeitos nocivos da solidão na saúde, ter pelo menos uma pessoa significativa na vida — seja um parceiro romântico, um familiar ou um amigo — é essencial, segundo Jeffrey Hall, professor de estudos de comunicação na Universidade do Kansas.

“O maior benefício ocorre quando vamos de zero para um amigo. Porém, se o seu objetivo é ter uma vida mais rica em conexões sociais e significado, é preferível cultivar mais amizades”, explica Hall.

A teoria mais conhecida sobre a quantidade de amizades possíveis foi proposta pelo psicólogo e antropólogo britânico Robin Dunbar. O chamado número de Dunbar sugere que os humanos podem manter cerca de 150 conexões ao mesmo tempo (números posteriores até ampliaram essa estimativa). Isso inclui um círculo próximo composto por aproximadamente cinco amigos íntimos e círculos maiores com amizades mais casuais.

Outras análises corroboram essa ideia. Um estudo realizado em 2016 indicou que indivíduos com seis ou mais amigos apresentaram melhorias significativas na saúde ao longo da vida. Em outra pesquisa conduzida em 2020 pela professora Suzanne Degges-White da Northern Illinois University revelou que mulheres na meia-idade com três ou mais amigas tendem a relatar maior satisfação com suas vidas.

Essas descobertas parecem alinhar-se com o entendimento popular sobre quantos amigos são considerados adequados. Em uma pesquisa recente com 297 adultos — ainda não publicada ou revisada por pares — Degges-White constatou que 55% dos participantes acreditavam que ter dois a três amigos íntimos era ideal; enquanto 31% vislumbravam quatro a seis como o número desejado.

No entanto, estudar amizade pode ser desafiador devido à sua natureza subjetiva; não existe uma escala universalmente aceita entre os pesquisadores para definir esses conceitos em diferentes estudos.

Além disso, o impacto das mídias sociais nesse contexto ainda não é totalmente claro; algumas pesquisas sugerem que o tamanho da rede online pode não afetar significativamente o bem-estar individual. Apesar do desaparecimento de muitas amizades durante a pandemia, várias pessoas conseguiram estabelecer conexões virtuais.

A pesquisa sobre amizade pode fornecer algumas diretrizes úteis; contudo, Marisa Franco, psicóloga e autora do livro “Platônico: como a ciência do apego pode ajudá-lo a fazer – e manter – amigos”, sugere iniciar com uma questão simples mas poderosa: estou me sentindo solitário?

“A solidão funciona como um sinal ou alerta”, destaca Franco.

By Canoas Informa

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