Uso excessivo de redes sociais por adolescentes eleva em três vezes o risco de pensamentos suicidas.

A crescente demanda de especialistas por limitações no tempo que os jovens dedicam às redes sociais ganha respaldo em novas investigações científicas. Um estudo recente indicou que adolescentes que passam seis horas ou mais diariamente nessas plataformas possuem o dobro da probabilidade de apresentar sintomas de ansiedade e três vezes mais chances de relatar pensamentos suicidas, se comparados àqueles que utilizam as redes por menos de uma hora ao dia.

Esse levantamento evidencia preocupações já levantadas por profissionais da saúde mental e pesquisadores sobre as consequências do uso excessivo das redes sociais na adolescência, um período caracterizado por significativas mudanças emocionais, sociais e cognitivas. Embora a pesquisa não consiga estabelecer uma relação causal direta, ela revela uma conexão consistente entre longos períodos de uso das redes e sinais de sofrimento psicológico nos adolescentes analisados.

“Os jovens tendem a se comparar com os outros ao utilizar essas plataformas. Geralmente, as pessoas compartilham apenas os melhores momentos, levando os adolescentes a perceberem uma realidade perfeita e feliz, o que resulta em comparações desfavoráveis”, explica Jeff Temple, professor e vice-diretor de pesquisa clínica da Escola de Ciências da Saúde Comportamental da UTHealth Houston, nos Estados Unidos.

“Além disso, é possível que o tempo excessivo nas redes sociais substitua momentos de interações sociais reais, que normalmente proporcionam felicidade e diminuem a ansiedade”, completa ele.

Os cientistas da UTHealth Houston analisaram dados coletados de 1.066 jovens adultos que relataram seus padrões de uso das redes sociais em pesquisas anuais realizadas entre 2018 e 2025. Esses participantes tinham, em média, 12 anos quando o estudo foi iniciado, permitindo aos pesquisadores observar a evolução dos hábitos digitais ao longo de um período importante do desenvolvimento desses jovens. Os achados foram divulgados na revista científica Pediatrics Open Science.

No grupo estudado, 8,5% dos participantes informaram usar as redes sociais por menos de uma hora diária. Mais de um terço dos entrevistados relatou passar entre uma e três horas conectados. Já pouco mais de 17% admitiram estar online por seis horas ou mais diariamente, um intervalo onde se observaram as maiores taxas de sintomas relacionados à ansiedade e ideação suicida.

As meninas mostraram um uso mais intenso das redes sociais quando comparadas aos meninos. Além disso, os dados sugerem que a relação entre sintomas de ansiedade e o uso das plataformas é mais pronunciada entre elas, indicando uma maior vulnerabilidade desse grupo aos efeitos negativos do tempo prolongado gasto nas mídias digitais.

Temple ressaltou que os resultados do estudo corroboram relatos informais feitos por crianças e suas famílias sobre saúde mental e o consumo das redes sociais, enfatizando a urgência em ampliar o diálogo sobre práticas digitais saudáveis e estratégias preventivas.

By Canoas Informa

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