Um novo levantamento realizado pelo Datafolha indica que 48% da população demonstra desconfiança em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), a maior taxa desde o início das medições, em 2012. A pesquisa revela que quase metade dos eleitores (47%) acredita que a situação de crise enfrentada pela Corte, relacionada ao caso Master, influenciará suas escolhas na votação para presidente neste ano.
De acordo com os dados coletados, 36% dos entrevistados afirmam que o embate no STF terá um impacto significativo na definição do candidato ao Palácio do Planalto, enquanto 11% acreditam que essa influência será pequena. Outros 49% consideram que a situação não afetará sua decisão, e 4% não souberam opinar.
Além disso, esta pesquisa marca a primeira vez em que a desconfiança em relação ao STF supera a registrada sobre outras três instituições. Os números mostram que 42% dos participantes da pesquisa expressaram desconfiança em relação à Presidência da República, 45% ao Congresso Nacional e também 45% aos partidos políticos.
O estudo envolveu a participação de 2.002 eleitores e foi iniciado na terça-feira, finalizando na quinta-feira, data em que os resultados foram divulgados. Este levantamento foi encomendado pelo grupo Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, apresentando um nível de confiança de 95%. O número de registro é BR-04029/2026.
Impacto
Os dados ainda indicam que 38% dos eleitores consideram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como um dos candidatos ao Planalto que poderá ser impactado pela crise no STF. Já 31% mencionaram o senador Flávio Bolsonaro (PL) nessa mesma condição.
O levantamento sugere que 5% acreditam que todos os candidatos na corrida presidencial sofrerão prejuízos devido à situação atual, enquanto 25% afirmam não ver qualquer dano nas candidaturas. Além disso, outros 14% não têm uma opinião formada sobre a questão. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
A seguir estão os números relacionados aos candidatos:
- * Lula (PT): 38%
- * Flávio Bolsonaro (PL): 31%
- * Ronaldo Caiado (PSD): 2%
- * Renan Santos (Missão): 2%
- * Augusto Cury (Avante): 1%
- * Romeu Zema (Novo): 1%
- * Samara Martins (UP): 0%
- * Rui Costa Pimenta (PCO): 0%
- * Edmilson Costa (PCB): 0%
- * Clariana Barão (DC): 0%
- * Hertz Dias (PSTU): 0%
- * Todos: 5%
- * Sem prejuízo às candidaturas: 25%
- * Não sabe: 14%
Os pesquisadores indagaram se a crise no STF afetava ou não as campanhas dos candidatos à presidência e, para aqueles que responderam afirmativamente, perguntaram quais candidatos poderiam ser impactados, permitindo respostas espontâneas e múltiplas.
Este é o primeiro levantamento do Datafolha após a sessão do STF onde começou a análise do processo relacionado à possível investigação do ministro Alexandre de Moraes no contexto do caso Master. A tensão aumentou nas últimas semanas depois que o ministro André Mendonça decidiu levantar o sigilo de um relatório da Polícia Federal sobre mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um número atribuído a Moraes.
No dia quinze de agosto, durante uma sessão que durou mais de seis horas com discussões acaloradas entre os magistrados, o ministro Flávio Dino solicitou mais tempo para examinar o processo. A falta de uma conclusão prolongou as deliberações no STF e uma decisão sobre as ações do magistrado pode ser postergada até após as eleições.
Impeachment
A pesquisa também investigou se o apoio ao impeachment de ministros do STF poderia aumentar, diminuir ou manter inalteradas as chances de voto em um candidato ao Senado.
- * Aumenta: 34%
- * Diminui: 31%
- * Não muda: 30%
- * Não sabe: 5%
Entre os eleitores que votam em Flávio Bolsonaro,54% acreditam que uma postura favorável ao impeachment aumentaria suas chances eleitorais. Em contraste, entre os apoiadores de Lula, apenas 23% compartilham dessa opinião.
