Entre o dia 1º de julho e o final de setembro, cerca de 6,9 milhões de brasileiros foram afetados por diversas condições climáticas adversas, incluindo ondas de calor, secas, tempestades e inundações. Ao longo desse período, 1.035 municípios decretaram situações de emergência ou calamidade pública.
Esses eventos resultaram em 25 óbitos registrados nas áreas afetadas. Os dados são provenientes da segunda edição do Boletim El Niño 2026/2027, produzido pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).
O levantamento também revelou que 87,7 mil pessoas foram forçadas a evacuar suas residências e que os danos econômicos totais chegaram a R$ 12,6 bilhões.
Dentre os prejuízos públicos, que somam R$ 3,6 bilhões, o maior impacto financeiro foi no abastecimento de água potável, com um custo estimado em R$ 1,8 bilhão. Outras áreas afetadas incluem obras de infraestrutura pública (R$ 557,8 milhões) e assistência médica e emergencial (R$ 562,8 milhões).
Além das consequências diretas dos desastres climáticos, as prefeituras enfrentam uma grave falta de recursos federais destinados à gestão de riscos. Dados da CNM mostram que entre 2010 e setembro de 2026, apenas R$ 27 bilhões dos R$ 99,8 bilhões autorizados pelo Congresso Nacional foram efetivamente transferidos às cidades, representando apenas 27,05% do total disponível.
“Embora os fenômenos climáticos estejam se tornando cada vez mais frequentes e severos, os recursos recebidos pelas administrações municipais estão muito abaixo das suas necessidades reais, aumentando a vulnerabilidade das comunidades. Os gastos em prevenção e resposta a desastres não são obrigatórios. Isso resulta em uma execução orçamentária historicamente insatisfatória”, comentou Paulo Ziulkoski, presidente da CNM.
A situação pode se deteriorar ainda mais nos próximos meses devido ao Super El Niño. A CNM tem monitorado atentamente os possíveis efeitos desse fenômeno climático e orientado as prefeituras a intensificarem as medidas preventivas e a atualização dos planos de contingência. Isso inclui o mapeamento de áreas em risco, a organização de abrigos e rotas de evacuação e a comunicação com a população local.
II Encontro Nacional das Defesas Civis Municipais
A CNM está promovendo nesta terça-feira (6) e quarta-feira (7) o II Encontro Nacional das Defesas Civis Municipais na sede da entidade em Brasília. Este evento é considerado o maior do setor municipalista na área.
O principal objetivo do encontro é fortalecer as capacidades locais em todas as etapas da gestão de riscos e desastres, além de discutir estratégias voltadas para a prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação diante dos eventos climáticos.
