Implante ocular revolucionário devolve a capacidade de leitura a pacientes cegos

Um grupo de pacientes cegos conseguiu retomar a leitura graças a um implante revolucionário nos olhos que foi testado em um hospital em Londres. Um cirurgião que realizou o procedimento em cinco pacientes no hospital Moorfields Eye, em Londres, descreve os resultados do estudo como “incríveis”.

Uma das pacientes, Sheila Irvine, de 70 anos, que é oficialmente cega, compartilhou com a BBC a emoção de poder ler e fazer palavras cruzadas novamente, descrevendo a sensação como algo fora deste mundo.

Desenvolvida por um estudo internacional, a tecnologia oferece esperança para indivíduos com atrofia geográfica (AG), uma forma avançada de degeneração macular relacionada à idade (DMRI). A Retina Brasil, uma organização sem fins lucrativos dedicada à saúde ocular, destaca que a DMRI é uma das principais causas de perda de visão em pessoas acima de 50 anos.

O novo procedimento consiste na inserção de um minúsculo microchip fotovoltaico sob a retina, com a espessura de um fio de cabelo humano, que permite aos pacientes recuperar parcialmente a visão por meio do processamento de imagens enviadas por uma câmera de vídeo embutida em óculos especiais.

O cirurgião oftalmológico Mahi Muqit, responsável pela parte britânica do estudo, descreve a tecnologia como pioneira e transformadora, destacando sua capacidade de proporcionar aos pacientes uma visão significativa para atividades do dia a dia, como ler e escrever.

Os resultados do estudo, publicados no New England Journal of Medicine, demonstraram melhorias significativas na capacidade de leitura de pacientes com atrofia geográfica. Dos 27 pacientes que receberam o implante, 27 conseguiram ler utilizando a visão central, com uma melhora média de 25 letras em uma tabela oftalmológica após um ano.

Ao proporcionar a capacidade de leitura a Sheila, que anteriormente não conseguia enxergar nenhuma letra sem o implante, o procedimento se mostrou ainda mais impactante.

A evolução de Sheila evidencia o progresso alcançado com o implante, permitindo-lhe ler correspondências, livros e realizar quebra-cabeças visualmente desafiadores, algo que ela jamais imaginou voltar a fazer.

Embora o dispositivo ainda não esteja disponível comercialmente, espera-se que sua disponibilidade para pacientes do serviço público de saúde britânico (NHS) seja possível nos próximos anos. A rápida evolução tecnológica é celebrada por Sheila, que se diz grata por fazer parte desse avanço.

Sheila não utiliza o dispositivo ao ar livre, optando por reservar seu uso para atividades específicas em casa, onde consegue melhor concentração. Ela compartilha sua felicidade e surpresa com as possibilidades que a tecnologia oferece, ressaltando sua gratidão por estar inserida nesse contexto inovador.

By Canoas Informa

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