Um novo estudo revela que assistir a vídeos de cenários naturais pode trazer benefícios como relaxamento, elevação do humor e uma sensação de conexão com a natureza que se assemelha às vivências ao ar livre. A pesquisa foi divulgada no Journal of Sustainable Tourism.
Os pesquisadores sugerem que tanto a visualização quanto a criação de vídeos de ambientes naturais podem induzir o que é denominado “atenção plena baseada na natureza”, um estado mental que combina concentração no presente com uma percepção aguçada do ambiente natural.
Realizado por acadêmicos da University of Illinois Urbana-Champaign e da Universidade da Flórida, o estudo aponta que essa experiência pode oferecer vantagens cognitivas e emocionais comparáveis às obtidas em atividades ao ar livre.
A pesquisa foi conduzida em duas etapas distintas. Inicialmente, os pesquisadores realizaram uma análise etnográfica com base em suas próprias vivências ao gravar áudio e vídeo de paisagens na Flórida. Na segunda fase, eles examinaram mais de 3 mil comentários online de participantes que desfrutaram de nove passeios virtuais por áreas naturais em diversas partes do mundo, disponibilizados por uma agência global de turismo.
Os vídeos analisados incluíram imagens de flores de cerejeira e práticas de “banho de floresta” no Japão, um safári ao vivo na África do Sul e uma caminhada ao pôr do sol guiada por um geólogo na Tailândia. O propósito era investigar se essas experiências digitais poderiam oferecer benefícios análogos aos proporcionados pelo contato direto com a natureza.
A análise dos comentários revelou dez categorias predominantes nas respostas, como apreciação pela beleza natural, sentimentos de alegria e um senso renovado de esperança. Alguns participantes relataram impactos mais significativos, incluindo melhorias no humor, maior relaxamento e até noites de sono mais tranquilas após essas experiências.
Os pesquisadores notaram que muitos turistas mencionaram que os vídeos aumentaram sua ligação emocional com os locais mostrados e despertaram um desejo maior de visitá-los pessoalmente no futuro. Para Lu, esses achados indicam que a videografia desempenha um papel além do simples registro visual.
“As descobertas indicam que a videografia pode ir além da documentação da natureza. A atenção plena baseada na natureza potencializa os recursos emocionais dos indivíduos e contribui para um aumento do bem-estar. Isso também pode auxiliar as pessoas a desacelerar, observar mais atentamente e sentirem-se mais conectadas ao seu entorno”, explica Lu.
O estudo enfatiza ainda como o vídeo tem o potencial de transformar as interações das pessoas com a natureza no contexto turístico. Segundo Wang, o verdadeiro valor dessas imagens não reside apenas na captura das paisagens, mas sim na maneira como elas são experienciadas e interpretadas pelos espectadores.
No decorrer da pesquisa, Lu manteve um diário detalhado enquanto documentava diversas paisagens naturais como praias, florestas, pântanos e jardins botânicos. Em suas anotações, ele descreveu o impacto sensorial e emocional dessas vivências.
“Enquanto ajustava o enquadramento para seguir o movimento suave da paisagem, todos os pensamentos se dissipavam. Ouvia apenas o vento, via a luz filtrada pelo sol e sentia o ritmo da minha respiração. Naquele instante, cada cena se tornava uma meditação—um ato consciente de observação”, relata Lu.
Para os pesquisadores envolvidos no estudo, os resultados têm implicações diretas tanto para a indústria do turismo quanto para políticas públicas. Na prática, essas evidências podem auxiliar agências na criação de experiências mais imersivas para os viajantes enquanto fornecem insumos para gestores públicos desenvolverem estratégias voltadas à promoção de um turismo sustentável.
