Uma equipe de ação do governo federal desativou 506 websites suspeitos de oferecer apostas online de forma ilegal, após a promulgação da Medida Provisória (MP) que proíbe as apostas no Brasil. Além disso, uma rede no Telegram, com 212 mil usuários dedicada à promoção dessas apostas, também está sob vigilância.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) anunciou que intensificou o monitoramento do setor de apostas na internet desde a publicação da MP que extinguiu as bets. Essa operação é fruto da colaboração entre o MJSP e o Ministério da Fazenda (MF).
Conforme comunicado do MJSP, “a iniciativa visa bloquear o acesso a plataformas que funcionam sem autorização e evitar que novos sites sejam criados para oferecer apostas ao público brasileiro”.
Um levantamento realizado pelo Ciberlab (Laboratório de Operações Cibernéticas) do MJSP revelou que anúncios relacionados a apostas continuavam sendo veiculados em redes como Meta, Google e TikTok. Essas publicidades convidavam os usuários a se cadastrarem, oferecendo bônus e incentivos como “convide amigos e ganhe R$ 888,00” e “Ganhe R$ 50,00 grátis”.
A MP publicada na sexta-feira (25) estabelece um prazo de dez dias para a remoção de anúncios que já estavam ativos antes da proibição, vetando qualquer nova publicidade. No Google, foram encontrados 1.900 anúncios relacionados a apostas. O relatório do ministério esclarece que não foi possível distinguir quais anúncios eram novos e quais já estavam disponíveis antes da proibição.
O Ciberlab informou que seguirá acompanhando as plataformas para assegurar o cumprimento das novas normas e solicitou às grandes empresas de tecnologia medidas para identificar páginas com identidade enganosa e links disfarçados.
Meta
No contexto da Meta, o Ciberlab detectou sete anúncios, dos quais dois foram lançados após a promulgação da medida provisória. O documento emitido pelo órgão do MJSP solicita à Meta a remoção dos anúncios veiculados após a edição da MP.
“Alguns desses anúncios utilizavam nomes diferentes dos exibidos nas marcas e links com domínios que não correspondiam às marcas anunciadas. O relatório sugere que esses elementos podem indicar uma tentativa de ocultar a identidade do verdadeiro anunciante e o destino do tráfego”, informou o Ciberlab.
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, as ações contra os 506 sites considerados suspeitos assim como a vigilância sobre os anúncios das bets fazem parte de uma “estratégia para impedir que novas ofertas de apostas surjam em outros domínios, anúncios ou aplicativos dentro do ambiente digital”.
Telegram
A força-tarefa governamental também localizou 43 canais e grupos no Telegram dedicados à promoção de apostas e jogos de cassino online, totalizando 212,6 mil membros ativos.
A lista dessas contas foi enviada neste domingo (27) às autoridades competentes dos Ministérios da Fazenda e Justiça “para análise técnica e administrativa sobre a situação dos operadores e adoção das medidas necessárias”.
Dentre as promessas identificadas estão ofertas como “260% de lucro mensal”, disponibilização de “robôs” para apostas e alegações de taxas de acerto que chegam até 99,8%. “A atuação integrada tem como objetivo evitar que a retirada formal das bets seja contornada pela transferência das atividades para redes sociais, aplicativos fechados ou plataformas clandestinas hospedadas fora do país”, esclareceu uma nota do MJSP.
Bets ilegais
Ao ser divulgada a MP proibindo as bets, surgiram aproximadamente 440 novos sites de apostas online sem registro no Brasil. A informação é proveniente do site Bet Legal, gerido pela empresa Iron Security, especializada em cibersegurança voltada para casas de apostas online no Brasil.
A plataforma começou a monitorar o número de apostas irregulares em 1º de setembro deste ano, tendo registrado os primeiros sites irregulares apenas quatro dias antes da publicação da MP pelo governo federal.
