Um novo estudo descobriu que a dimetiltriptamina (DMT), um dos componentes psicoativos tradicionalmente usados no ritual psicodélico amazônico da ayahuasca, pode ser uma terapia promissora para a depressão.
A pesquisa foi realizada com dezessete participantes que receberam uma injeção de um composto DMT desenvolvido por uma empresa que patrocinou e projetou o estudo, e outros dezessete receberam placebo. Todos os participantes receberam acompanhamento psicoterapêutico.
Os resultados foram publicados em uma revista científica neste mês e mostraram que, apenas duas semanas após a injeção, os participantes que receberam DMT apresentaram uma redução maior nos sintomas depressivos do que aqueles que receberam placebo.
Um dos autores do estudo alertou que a pesquisa é pequena e preliminar. “Ainda há muito a fazer, mas é promissor”, disse o pesquisador.
Na ayahuasca tradicional, os participantes bebem um chá feito de plantas com componentes psicodélicos, enquanto a formulação sintética de DMT usada no estudo produz uma experiência psicodélica curta e intensa. A terapia assistida por psicodélicos é semelhante à ayahuasca, envolvendo um facilitador que guia os participantes pela experiência psicodélica com a intenção de ajudá-los a processar e curar suas experiências.
Em 2019, foi aprovado um spray nasal à base de cetamina para o tratamento da depressão resistente ao tratamento nos EUA. Ensaios clínicos com outras substâncias psicodélicas também estão em andamento. Apesar de promissor, os pesquisadores afirmam que ainda existem obstáculos a serem considerados, como a administração da terapia em uma clínica, por injeção e com um terapeuta.
Os pesquisadores reiteraram que a terapia não deve ser usada como único remédio contra a depressão, mas sim como parte de um trabalho contínuo com um terapeuta ao longo do tempo. “Por exemplo, se a DMT ajudar um paciente a perceber que seu trabalho está contribuindo para sua depressão, ele provavelmente teria que tomar decisões difíceis para ver uma melhora real”, diz o pesquisador. (Com informações do jornal O Globo)
