Diminuindo o álcool diário: a mudança que pode salvar vidas no Brasil

Um estudo recente da Vital Strategies, uma organização global de saúde pública, revelou que a redução do consumo de álcool no Brasil poderia prevenir até 157,4 mil mortes por câncer até o ano de 2050. O maior impacto seria visto nos casos de câncer de intestino, com uma estimativa de 30,4 mil vidas poupadas, e de esôfago, com uma redução de aproximadamente 30,1 mil óbitos.

A ligação entre o consumo de álcool e o desenvolvimento de câncer é bem documentada na literatura científica. De acordo com um estudo publicado na revista The Lancet Oncology, realizado por pesquisadores da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc) da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 741,3 mil casos de câncer em todo o mundo em 2020 foram atribuídos ao consumo de álcool, representando 4,1% do total. No Brasil, foram registrados 20,5 mil diagnósticos de câncer relacionados ao álcool naquele ano.

Com base em projeções da Iarc, o relatório também estima que entre 11 milhões e 14 milhões de mortes por câncer ocorrerão no Brasil nos próximos 25 anos, sendo mais de 415 mil associadas ao consumo de álcool.

A doutora Mary-Ann Etiebet, presidente e CEO da Vital Strategies, enfatiza a importância de aumentar a consciência pública sobre essa relação e a necessidade de utilizar uma linguagem acessível, mensageiros confiáveis e canais de comunicação confiáveis para disseminar essas informações.

O estudo compara o potencial impacto das políticas de controle do álcool com as medidas implementadas para combater o tabagismo no Brasil. Entre 1989 e 2023, a taxa de fumantes diminuiu em 74%, resultado de iniciativas como leis restritivas, campanhas de conscientização, alertas nas embalagens e aumento de impostos, evitando assim 7 milhões de mortes prematuras até 2050.

No caso do álcool, os pesquisadores simularam três cenários de redução do consumo: diminuir uma, duas ou três doses diárias, considerando que uma dose equivale a cerca de 12 gramas de álcool, o que é aproximadamente o conteúdo de uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de destilado. Foram analisados os cânceres já associados ao consumo de álcool, como os de esôfago, fígado, laringe, faringe, mama, intestino e cavidade oral.

No cenário mais conservador, com a redução de uma dose por dia, seria possível evitar 157.444 mortes até 2050. Se a redução fosse de duas doses, o número subiria para 252.106 óbitos evitados. Já no cenário mais otimista, com a redução de três doses diárias, o total chegaria a 317.654 mortes prevenidas no período analisado.

(Com informações do jornal O Globo)

By Canoas Informa

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