Saúde

Desvendando cinco crenças que podem sabotar a batalha contra a obesidade

Por Canoas Informa 4 min de leitura

A obesidade é frequentemente envolta em estigmas que podem dificultar o acesso a cuidados médicos e gerar sentimentos de culpa entre os afetados. No Fórum Latino-Americano VALUE Exp, realizado no Panamá, o cirurgião e sexólogo colombiano Fernando Rosero apresentou uma análise crítica sobre os mitos relacionados ao excesso de peso, enfatizando que muitas das crenças populares carecem de respaldo científico. Com base em sua vivência profissional e pessoal, ele desafiou cinco ideias preconcebidas e ressaltou a importância de estratégias de tratamento sustentáveis, acompanhamento contínuo e uma avaliação mais abrangente do que apenas o peso corporal.

* O índice de massa corporal é um indicador confiável de saúde?

O primeiro ponto abordado por Rosero foi a concepção errônea de que o índice de massa corporal (IMC) é suficiente para determinar a saúde de um indivíduo. Embora essa medida relacionando peso e altura possa ser um bom ponto de partida, ela não diferencia entre gordura e massa muscular, nem revela onde a gordura está armazenada. Por isso, o médico defendeu que essa análise precisa ser complementada por outros parâmetros, como a circunferência da cintura e a composição corporal.

* A falta de força de vontade causa obesidade?

O especialista refutou a ideia de que a obesidade se deve apenas à falta de disciplina alimentar. Segundo ele, fatores genéticos, biológicos, ambientais e hábitos pessoais desempenham papéis significativos na regulação do apetite e do peso. A Organização Mundial da Saúde também reconhece que essa condição resulta da interação complexa entre fatores sociais, ambientais, comportamentais e biológicos; portanto, responsabilizar unicamente o indivíduo ignora a complexidade do problema.

Além disso, Rosero discutiu o conceito de “ruído alimentar”, que se refere aos pensamentos recorrentes sobre comida, como a preocupação constante com o que comer ou a vontade incontrolável de comer novamente logo após uma refeição. Ele observou que esses impulsos são difíceis de manejar e que tentar superá-los apenas com força de vontade pode não ser eficaz. Isso não significa que os hábitos alimentares sejam irrelevantes; pelo contrário, mas é crucial considerar os fatores biológicos e psicológicos envolvidos nos comportamentos alimentares durante o tratamento.

* Recuperar peso perdido é sinônimo de fracasso?

Uma das principais mensagens transmitidas por Rosero foi que ganhar peso novamente após uma perda não deve ser visto como um fracasso pessoal. A obesidade é uma doença crônica e manter os resultados obtidos pode exigir monitoramento constante e adaptações ao longo do tempo. Segundo ele, muitas vezes o problema reside na ausência das ferramentas adequadas para sustentar a perda de peso ao invés da falta de empenho.

* Medicamentos para emagrecimento são apenas soluções estéticas?

Rosero também desafiou a visão limitada dos medicamentos para perda de peso como meras ferramentas estéticas. Quando prescritos corretamente por profissionais qualificados, esses tratamentos podem integrar uma abordagem médica efetiva para combater a obesidade e ajudar na redução dos fatores de risco associados à condição. A OMS reconhece os medicamentos como parte das opções disponíveis para um tratamento abrangente junto com intervenções nutricionais, comportamentais e psicológicas.

* Perder apenas 5% do peso não traz benefícios?

O especialista questionou ainda a crença disseminada de que uma redução modesta no peso não gera impactos significativos. Ele salientou que perder uma fração menor do peso inicial pode resultar em melhorias metabólicas relevantes, incluindo melhor controle da pressão arterial, níveis glicêmicos mais saudáveis e redução nos triglicerídeos. Embora os resultados variem conforme cada pessoa e suas condições clínicas específicas, ficou claro que avaliar progresso apenas pelo número na balança não é adequado.

A Organização Mundial da Saúde estima que até 2024 aproximadamente 1,1 bilhão de indivíduos enfrentem problemas relacionados à obesidade globalmente. A entidade adverte que essa condição aumenta consideravelmente o risco para doenças como diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares e alguns tipos específicos de câncer. Além disso, destaca a necessidade de abordar tanto a prevenção quanto o tratamento levando em conta fatores como acesso a alimentos saudáveis, atividade física regular, descanso adequado e as condições sociais que influenciam as escolhas diárias.

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