O Eurasia Group destacou que, em uma eleição acirrada, a eficácia das campanhas eleitorais pode ser um elemento crucial. Nesse aspecto, Flávio Bolsonaro tem se destacado, o que ajuda a explicar o empate técnico com Lula nas simulações de segundo turno e diminui as chances de surpresas com candidatos como Augusto Cury, Ronaldo Caiado ou Renan Santos.
Tradicionalmente, a campanha ocupa um papel secundário no desfecho eleitoral. Elementos estruturais, como a popularidade do governo, costumam ser mais indicativos do vencedor do que o desempenho dos candidatos em debates e propagandas. Contudo, este ano se apresenta de forma distinta, já que esses indicadores sugerem uma disputa praticamente empatada. Em um cenário desse tipo, aspectos menos significativos podem alterar o equilíbrio da corrida. No momento, a disparidade na qualidade das campanhas parece estar influenciando esse jogo.
O cenário atual favorece Flávio. A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) gerou um anseio por mudanças entre um eleitorado cansado da política tradicional. Apesar dos laços entre Flávio e Daniel Vorcaro e os escândalos que afetam aliados e membros do partido, a cobertura da mídia acaba por dar uma vantagem ao filho do ex-presidente em relação a Lula.
Entretanto, a diferença entre a campanha de Flávio e as de outros concorrentes não se deve apenas ao contexto político. O marketing empregado é de alta qualidade. O senador tem mantido disciplina em seus discursos e na elaboração de programas eleitorais, focando em três pontos principais: apresentar-se como uma versão mais jovem e moderna de seu pai, acentuar o medo relacionado à criminalidade e responsabilizar Lula pelo aumento no custo de vida. Questões como segurança pública e endividamento ressoam com os eleitores e facilitam a conexão entre o candidato e o público.
Lula enfrenta desafios na hora de explicar por que merece mais quatro anos no poder. Suas campanhas enumeram programas governamentais, como Desenrola e Pé-de-Meia, mas ainda não lograram transmitir uma visão clara de um futuro melhor. É notável que até agora não tenham sido investidos recursos em materiais que tenham forte apelo emocional para promover a redução da jornada de trabalho.
A discrepância se torna ainda mais evidente ao comparar Flávio com outros candidatos. Caiado não conseguiu alavancar sua presença na TV; suas peças publicitárias foram convencionais, garantindo apenas alguma visibilidade sem gerar curiosidade entre os eleitores. As chances dele dependem cada vez mais de um evento extraordinário que possa enfraquecer Flávio e reanimar a busca por alternativas.
Se as tendências observadas no início da campanha persistirem, Flávio poderá assumir a liderança nas pesquisas. No entanto, não é possível garantir essa trajetória, pois as campanhas estão sempre em evolução e Lula começa a mostrar reações. Dois aspectos merecem atenção nas semanas seguintes: possíveis ataques direcionados a Flávio que podem colocá-lo em uma posição defensiva; além das novas iniciativas do governo após o recente reajuste inesperado do Bolsa Família.
