A Anvisa, órgão responsável pela vigilância sanitária no Brasil, deu o aval para a comercialização de um novo fármaco que promete atrasar a progressão do diabetes tipo 1. Batizado de Tzield (teplizumabe), o medicamento é destinado a pacientes com idade de 8 anos ou mais que já apresentam indícios iniciais da enfermidade, mas que ainda não desenvolveram completamente o diabetes tipo 1.
Essa condição é classificada como uma doença autoimune, na qual o sistema imunológico ataca as células pancreáticas que produzem insulina. A ausência desse hormônio resulta em um acúmulo de glicose na corrente sanguínea, o que pode acarretar diversas complicações ao longo do tempo.
O Tzield atua na modulação da resposta imunológica, com a finalidade de retardar a destruição das células responsáveis pela produção de insulina. Assim, pode-se prolongar o período até que o paciente necessite iniciar um tratamento completo com insulina, momento conhecido como estágio 3 da patologia.
Profissionais de saúde destacam que a possibilidade de postergar o surgimento do diabetes tipo 1 é especialmente benéfica para crianças e jovens que estão em situação de alto risco para essa doença. Isso se deve ao fato de que manter os níveis glicêmicos sob controle nem sempre é uma tarefa simples, mesmo com o tratamento adequado; altos níveis de açúcar no sangue por períodos prolongados podem resultar em complicações sérias, como problemas cardíacos, renais e visuais.
Além do Tzield, a Anvisa também autorizou a venda de outros dois produtos biológicos:
- Datroway, destinado a certos casos avançados de câncer de mama;
- Andembry (garadacimabe), utilizado na prevenção de crises relacionadas ao angioedema hereditário, uma condição genética rara que causa inchaços intensos em várias partes do corpo.
Para o medicamento voltado ao angioedema hereditário, estudos mostraram que ele pode reduzir em mais de 80% a frequência das crises nos pacientes acometidos pela doença.
Após receberem aprovação, os novos tratamentos ainda precisam passar por etapas adicionais, como a definição dos preços pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), antes de estarem disponíveis no mercado brasileiro.
Entendendo o Diabetes Tipo 1
O diabetes tipo 1 é uma condição crônica autoimune que afeta principalmente crianças e adolescentes. Essa doença se manifesta quando as células beta do pâncreas são atacadas e destruídas pelo sistema imunológico, levando à falta do hormônio insulina, essencial para o controle dos níveis de glicose no sangue.
Diferentemente do diabetes tipo 2 — que pode ser gerido através de alterações no estilo de vida e uso de medicamentos orais — o tipo 1 requer monitoramento constante da glicemia e aplicações diárias de insulina. Isso influencia diretamente na qualidade de vida dos indivíduos afetados.
Embora frequentemente diagnosticada durante a infância ou adolescência, essa forma da doença também pode ser identificada em adultos. Segundo dados do Ministério da Saúde, os sintomas mais comuns do diabetes tipo 1 incluem:
- Sede e fome excessivas;
- Vontade frequente de urinar;
- Perda inexplicável de peso;
- Fadiga e fraqueza;
- Mudanças repentinas no humor;
- Náuseas ou vômitos.
A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) estima que mais de 13 milhões de brasileiros convivem com essa condição, sendo aproximadamente 5% a 10% dos casos atribuídos ao diabetes tipo 1. Embora a causa exata dessa forma da doença permaneça desconhecida, adotar hábitos saudáveis como uma alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos e evitar substâncias como álcool e tabaco pode ser eficaz na prevenção.
