Adoção excessiva de açúcar na infância pode aumentar probabilidade de demência na vida adulta

Um estudo recente indica que o alto consumo de açúcar na infância pode aumentar a probabilidade de demência na fase adulta. A pesquisa foi divulgada na última quarta-feira (29) pela revista Neurology, vinculada à Academia Americana de Neurologia.

Com o objetivo de entender a conexão entre a demência e a ingestão de sacarose, os cientistas analisaram um total de aproximadamente 64.737 indivíduos nascidos após a Segunda Guerra Mundial, um período que coincidiu com o fim do racionamento de açúcar no Reino Unido em setembro de 1953.

A investigação focou na associação entre os períodos de exposição ao racionamento de açúcar durante os primeiros 1.000 dias de vida e o risco subsequente de demência na vida adulta, conforme relato da publicação. Os sujeitos do estudo foram classificados segundo as fases em que estiveram expostos ao racionamento: apenas durante a gestação; durante a gestação e o primeiro ano; durante a gestação e entre 1 e 2 anos; ou sem exposição alguma.

Resultados

A pesquisa identificou casos de demência através de registros médicos associados à CID-10 (Décima Revisão da Classificação Internacional de Doenças). Em uma subcoorte, os pesquisadores também analisaram ressonâncias magnéticas do cérebro e o desempenho dos participantes em testes cognitivos.

Os modelos estatísticos levaram em consideração variáveis como diabetes tipo 2 e hipertensão, além de outros fatores competitivos com suas respectivas razões de risco (HRs) e intervalos de confiança (IC) fixados em 95%.

Dentre os 64.737 participantes, 40.963 estavam sob racionamento durante a gestação e/ou os primeiros anos, enquanto 23.774 não foram expostos. A média etária no início da pesquisa era de 54,6 anos, com uma maioria feminina representando 56,4% do total.

Comparando com aqueles que não passaram pelo racionamento, as pessoas que estiveram sujeitas à restrição do açúcar durante a gestação e o primeiro ano apresentaram um risco 21% inferior (HR 0,79) para desenvolver demência por todas as causas e uma redução de 23% no risco para Alzheimer.

Os participantes que vivenciaram o racionamento durante a gestação e entre 1 e 2 anos mostraram uma diminuição no risco global de demência da ordem de cerca de 23% (HR 0,77), com uma queda significativa de 28% (HR 0,72) no risco para Alzheimer.

A exposição à restrição alimentar nesse período também se correlacionou com um atraso aproximado de 2,5 anos no início da demência por todas as causas, enquanto para Alzheimer esse atraso foi em torno de 2,9 anos e para a demência vascular cerca de 2,5 anos.

Além disso, os pesquisadores notaram relações entre a limitação do açúcar nos primeiros anos e melhores indicadores relacionados à saúde cerebral. Os resultados mostraram maior volume total da substância cinzenta, redução das hiperintensidades da substância branca e desempenho superior em testes que medem velocidade cognitiva e raciocínio lógico.

O estudo destacou que o surgimento simultâneo de diabetes tipo 2 e hipertensão foi responsável por mediar cerca de 25,5% da relação observada entre a exposição ao racionamento e os resultados relacionados à demência.

Os autores sugeriram que evitar o consumo excessivo de açúcar nos primeiros mil dias pode estar ligado a um risco reduzido para demência, ao início tardio da doença e a melhores condições cerebrais na idade adulta. Foi enfatizado que “estes achados corroboram a ideia da redução do consumo açucarado na infância como uma estratégia potencial para prevenir casos futuros de demência”.

By Canoas Informa

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