O secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou hoje que as relações entre os Estados Unidos e o Brasil estão em uma “trajetória positiva” e que os EUA valorizam a boa relação entre os presidentes Donald Trump e Lula.
“Acredito que avançamos em várias questões com o presidente Lula, especialmente no comércio, mas ainda há trabalho a ser feito. Os dois presidentes se entenderam bem, e isso é importante. Conversei com o chanceler brasileiro no início desta semana e temos muitos assuntos em comum com o Brasil nos quais gostaríamos de trabalhar juntos. (…) Tivemos algumas divergências ao longo dos anos, mas sinto que esse relacionamento está em uma direção positiva”, disse Rubio.
Em uma coletiva de imprensa em Washington D.C., Rubio afirmou que os EUA pretendem fortalecer ainda mais os laços bilaterais com o Brasil. Essa iniciativa faz parte da nova política de segurança nacional, que tem o objetivo de aumentar a influência sobre a América Latina, o que inclui melhorar os laços com governos fortes, como o do Brasil, sempre que possível.
A declaração de Rubio consolida uma mudança na relação entre Brasil e EUA, que em poucos meses passou de inexistente, marcada por tarifas e sanções, para amigável, com atitudes de reconsideração:
• Tarifas de 50% sobre produtos brasileiros impostas pelos EUA entraram em vigor em agosto, e o governo Trump pressionou o Judiciário brasileiro contra o julgamento de Jair Bolsonaro no STF.
• Após um breve encontro na Assembleia Geral da ONU e uma cúpula oficial na Malásia, a situação começou a mudar. Os EUA retiraram as tarifas de mais de 200 produtos brasileiros e revogaram a Lei Magnitsky que havia sido aplicada ao ministro do STF Alexandre de Moraes, por exemplo.
Quando questionado se os Estados Unidos aceitariam a oferta de Lula para mediar a escalada de tensões militares com a Venezuela, Rubio afirmou apenas que o governo Trump está ciente da disposição do presidente brasileiro para ajudar. Ele também não descartou um encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
Além das declarações de Rubio, democratas do Congresso americano solicitaram, em uma carta publicada hoje, que o presidente Donald Trump desista das tarifas impostas ao Brasil e adote medidas para fortalecer os laços com o país.
Apesar da pressão de Trump, Bolsonaro foi condenado pelo STF em setembro a 27 anos e 3 meses de prisão por golpe de Estado. Ele está detido na sede da PF em Brasília desde o final de novembro. Em dezembro, o Congresso brasileiro aprovou o PL da Dosimetria, que visa reduzir significativamente as penas recebidas pelos golpistas condenados. No final de novembro, o governo Lula conseguiu a revogação das tarifas impostas pelos Estados Unidos a alguns produtos brasileiros.
“A remoção da taxa de 40% imposta pelo governo norte-americano a vários produtos agrícolas brasileiros é uma conquista do diálogo, da diplomacia e do bom senso”, afirmou o presidente Lula.
A Casa Branca anunciou a retirada da tarifa de 40% para mais de 200 produtos brasileiros, incluindo carne bovina, café, açaí, cacau e diversas outras mercadorias. Eles foram incluídos em uma “lista de exceções” das tarifas aplicadas ao Brasil em agosto.
A decisão é válida para produtos que entraram nos Estados Unidos a partir de 13 de novembro, mesma data da reunião entre o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, para discutir as tarifas.
Outra vitória para Lula foi a retirada das sanções da Lei Magnitsky ao ministro do STF Alexandre de Moraes.
