Nas eleições de 2026, observou-se que nove entre os dez deputados federais mais votados têm menos de 40 anos. O uso das redes sociais e a polarização política foram fatores essenciais para o destaque de candidatos como Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP), André Fernandes (PL-CE), Erika Hilton (PSOL-SP) e Ana Elisa (PT-MG) na disputa.
Com apenas 30 anos, Nikolas Ferreira experimentou um crescimento significativo em sua votação, passando de 1,5 milhão para 3 milhões de votos em comparação com as eleições de 2022. Por sua vez, em São Paulo, Lucas Pavanato, aos 28 anos, conquistou seu primeiro mandato na Câmara. Já Erika Hilton, com 33 anos, se destacou ao obter cerca de 1,6 milhão de votos, tornando-se a mulher mais votada para o cargo.
A juventude também se fez notar entre os candidatos da esquerda. Ana Elisa, do PT e com apenas 21 anos, foi eleita em Minas Gerais com mais de 524 mil votos, beneficiando-se significativamente das redes sociais. Sâmia Bomfim (PSOL-SP), de 37 anos, também teve uma votação expressiva ao receber aproximadamente 583 mil votos.
Do total dos dez deputados federais que obtiveram mais votos, seis pertencem a partidos de direita e quatro são vinculados a legendas da esquerda. Tabata Amaral (PSB-SP), que possui uma postura mais centrista, também garantiu sua reeleição e se manteve entre os parlamentares com maior número de votos.
Embora a presença juvenil tenha sido robusta entre os candidatos mais votados, esses jovens ainda correspondem a uma fração reduzida do total na Câmara. Dos 513 deputados federais eleitos, apenas 23 possuem menos de 30 anos, representando cerca de 4,5% do total. Desses jovens parlamentares, a maioria é composta por representantes da direita: 17 são desse espectro político e seis pertencem à esquerda.
O deputado mais jovem eleito foi Alvinho Lira (PP-AL), que tem apenas 20 anos e é filho do ex-presidente da Casa Arthur Lira. Uma nova legislação aprovada em 2025 possibilitou que candidatos completem a idade mínima exigida constitucionalmente — que é de 21 anos — até 90 dias após a posse da Mesa Diretora.
A ascensão de jovens também se manifesta nas Assembleias Legislativas estaduais. Em São Paulo, Eduarda Campopiano (PL), com apenas 23 anos, foi a candidata mais votada para o Legislativo estadual ao conquistar impressionantes 1,9 milhão de votos através de um discurso conservador e antifeminista. Em Minas Gerais, Samuel Caires (PL), aos 22 anos e respaldado por Nikolas Ferreira, também conseguiu se eleger.
No Maranhão, Natália do Júnior Garimpeiro (União Brasil), com seus 21 anos e apoiada por seu pai — prefeito de Centro Novo — conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa. Outro jovem eleito no estado foi Túlio Rezende (MDB), que aos 22 anos segue uma trajetória familiar enraizada na política local.
Ainda que muitos jovens tenham se destacado nas eleições recentes, a idade média dos deputados federais eleitos permaneceu em 49 anos, igualando-se ao dado observado em 2022. Essa informação sugere que, apesar do relevante número de jovens bem-sucedidos nas urnas, a renovação geracional no conjunto da Câmara ainda enfrenta limites significativos.




