No âmbito da Assembleia-Geral das Nações Unidas, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, proclamou que o país está em um “processo de transformação democrática para seu renascimento” e que está dialogando com a oposição visando a realização de eleições. Contudo, não mencionou uma data específica para esse pleito.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, após um encontro com Delcy, enfatizou que a realização de eleições livres na Venezuela continua sendo uma prioridade para os Estados Unidos. Entretanto, segundo Rubio, antes dessas eleições ocorrerem, o país deve cumprir uma agenda em três etapas, que inclui desde a estabilização econômica até a criação de uma infraestrutura eleitoral. Para ele, sem essas condições prévias, as eleições não podem se concretizar.
Mais de nove meses após a polêmica ação militar dos EUA na Venezuela que resultou na prisão do ex-ditador Nicolás Maduro em Nova York, não há indícios de que a população venezuelana terá a oportunidade de escolher seu presidente por meio de eleições justas e transparentes, apesar das declarações otimistas tanto de Delcy quanto de Rubio.
A relação entre Delcy e Donald Trump parece ter se fortalecido nos últimos tempos. Durante sua visita à ONU em Nova York, ela não fez menção alguma ao seu antigo líder Maduro.
Embora o fim do governo autoritário de Maduro não seja lamentado por muitos — exceto pelos que se beneficiavam de sua ditadura —, seu ocaso demonstrou ser extremamente vantajoso para Delcy e também para Trump.
Para o presidente dos EUA, o fato da atual liderança na Venezuela ter sido aliada de Maduro e ter promovido censura e repressão parece irrelevante. O importante é que Delcy e sua equipe satisfaçam os interesses americanos — como o acesso à exploração de mais de 65 bilhões de barris de petróleo venezuelano — garantindo assim sua permanência no poder sem necessidade de eleições.
Enquanto isso, María Corina Machado, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2025 e principal figura da oposição venezuelana, permanece no exílio. Um assessor dela informou que Corina foi impedida de retornar ao seu país pelo menos sete vezes.
Entre os opositores ainda presentes na Venezuela, a aliança entre Delcy e Trump gerou um raro consenso. Tanto chavistas quanto opositores consideram que Delcy se submete aos interesses americanos em detrimento das necessidades reais do povo venezuelano.
No momento atual, os maiores esforços para estabelecer uma data para as eleições estão sendo feitos por membros do Partido Republicano da Flórida. Este estado abriga uma parte significativa da diáspora venezuelana e seus congressistas reconhecem corretamente a urgência da realização das eleições.
Eles apoiam uma proposta do senador republicano Bernie Moreno, sugerindo que as eleições sejam agendadas para 24 de julho — data do aniversário de Simón Bolívar, ícone da independência venezuelana. Contudo, com a situação atual da Venezuela como um país independente em questão, não há garantias de que esse simbolismo se traduza em realidade.
