EUA não aceitam plano do Irã para cessar-fogo e reabertura do Estreito de Ormuz, avaliando novos ataques aéreos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou a proposta do Irã que pedia um cessar-fogo de sete dias, seguido pela reabertura do Estreito de Ormuz e discussões sobre seu programa nuclear.

Trump confirmou sua decisão no sábado (26), um dia após informações de fontes anônimas do governo americano, reveladas pelo Wall Street Journal, indicarem que ele está considerando retomar os bombardeios após as eleições de meio de mandato.

A falha nas negociações ocorre após tentativas de diálogo mediadas durante a Assembleia Geral da ONU, aumentando as tensões sobre uma possível intensificação do conflito no Oriente Médio.

“Eu recuso a proposta”, declarou Trump a jornalistas na Casa Branca. “[Os iranianos] desejam um acordo para abrir o estreito imediatamente porque estão perdendo terreno rapidamente. Eles querem o acordo e isso me parece razoável. Eu também gosto de fazer acordos”, completou.

A posição de Trump impede novamente avanços rumo a uma solução para o impasse, que tem sido marcado por diálogos intermitentes entre Teerã e Washington sem sucesso até agora. As fontes consultadas pelo WSJ afirmaram que o presidente norte-americano pretende reiniciar os ataques contra o Irã após as eleições, programadas para início de novembro, enquanto demonstra ceticismo em relação à disposição do Irã de atender às suas demandas.

As negociações entre EUA e Irã estavam se concentrando em um acordo que permitiria a reabertura do Estreito de Ormuz por parte de Teerã em troca da suspensão do bloqueio aos portos iranianos por Washington.

Na quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, informou que uma proposta foi apresentada aos negociadores americanos. O plano previa condições como a suspensão do bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos, alívio das sanções sobre as vendas de petróleo e um cessar-fogo que incluiria também o Líbano. Após uma semana da trégua, Teerã reabriria Ormuz e iniciaria negociações sobre seu programa nuclear imediatamente.

<p“Apresentamos aos EUA um plano através dos mediadores que estabelece que, se certas condições forem atendidas, o Estreito de Ormuz seria reaberto ao fim do sétimo dia e as discussões seriam retomadas”, disse Araghchi.

Os termos discutidos recentemente são semelhantes ao memorando assinado entre os países em junho passado, que resultou em um cessar-fogo instável que foi rompido semanas depois sem progresso nas conversações.

Tanto Teerã quanto Washington não conseguiram chegar a um consenso em diversas questões, incluindo a liberação de ativos iranianos congelados fora do país – aspecto sobre o qual tanto Trump quanto o vice-presidente JD Vance afirmaram que não seria facilmente concedido ao governo teocrático.

Apesar da negativa ao plano proposto, negociações intermediadas por países como Catar e Paquistão continuam em andamento, conforme relatado pelas fontes consultadas. Há expectativas de que a postura de Trump possa mudar nas próximas semanas influenciada pelos resultados eleitorais.

A tentativa diplomática durante a Assembleia Geral da ONU havia gerado algum otimismo entre analistas e especialistas, já que os dois países informaram ter realizado um contato indireto positivo de três horas com planos para uma nova rodada em breve.

Essas tratativas ocorreram em meio a uma troca acalorada de ameaças e condenações nas intervenções das lideranças na Assembleia Geral. No dia inaugural do evento, Trump destacou que tinha “uma decisão importante a tomar” sobre o Irã e instou aliados a isolar economicamente Teerã seguindo as sanções recém-anunciadas pelos EUA, além de ameaçar “aniquilar” o país persa.

No dia seguinte, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian declarou que seu governo não permitiria liberdade de navegação em Ormuz enquanto as sanções e bloqueios dos EUA persistissem. Ele acusou Washington e Israel por ataques terroristas contra Teerã — incluindo o bombardeio a uma escola infantil e a morte do líder supremo Ali Khamenei — prometendo que seu país nunca se “ajoelharia” diante de ameaças externas.

By Canoas Informa

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