Justiça nega pedido da Polícia Federal para congelar R$ 1 milhão de Pedro Geromel, ex-zagueiro do Grêmio

Na segunda fase da operação “Disco de Ouro”, a Justiça Federal indeferiu o requerimento da Polícia Federal (PF) para que R$ 1 milhão fossem congelados nas contas do ex-zagueiro Pedro Geromel, 41 anos, um dos grandes ídolos do Grêmio. A decisão se baseou na análise de que as evidências apresentadas até o momento não confirmam qualquer ligação do atleta, que jogou pelo clube gaúcho de 2014 a 2024, onde finalizou sua carreira.

A investigação tem como foco um esquema complexo voltado à lavagem de dinheiro e também está apurando a extração e venda ilegal de cassiterita, um mineral essencial na produção de estanho, que está sendo extraído de forma irregular na Terra Indígena Yanomami.

Durante o desenvolvimento das investigações, que incluíram a quebra de sigilos fiscais e financeiros de suspeitos e empresas associadas à operação, os investigadores identificaram uma movimentação bancária atípica: uma transferência de R$ 1 milhão feita pela Metalsur Comercial de Aços diretamente para o ex-capitão do Tricolor gaúcho.

Com essa transação financeira sob análise, a PF solicitou judicialmente o bloqueio imediato dessa quantia nas contas do ex-jogador. No entanto, o juiz responsável pelo caso adotou uma postura cautelosa em sua decisão.

A Justiça ressaltou que, nesta fase inicial do processo, apenas a identificação de uma transferência ou a citação de um nome em relatórios financeiros não constituem provas conclusivas da participação em atividades ilícitas ou da origem ilegal dos valores recebidos.

Além disso, o tribunal argumentou que ações cautelares mais severas, como o sequestro de bens e bloqueio patrimonial, demandam um nível mais alto de evidências consistentes que ainda precisam ser estabelecidas ao longo do andamento processual. Isso visa garantir o direito à ampla defesa e evitar qualquer suposição prematura de culpabilidade.

O inquérito policial também destaca outras figuras públicas com conexões no contexto financeiro em questão. Entre os mencionados nos relatórios da força-tarefa está outro ex-atleta ligado ao Grêmio: Lucas Leiva, 39 anos, que é suspeito de ter recebido R$ 125 mil. O cantor Alexandre Pires também figura na lista dos alvos da investigação.

Operação

O avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal ilustra a magnitude da rede criminosa descoberta pelos agentes. O foco recai sobre um esquema sofisticado que teria possibilitado movimentações e fraudes estimadas em cerca de US$ 48 milhões (aproximadamente R$ 250 milhões).

No núcleo dessa estrutura criminosa estão dois empresários gaúchos considerados pelos investigadores como os principais responsáveis pela lavagem e garimpo ilegal. Um deles possui laços significativos com o meio artístico, o que ajudaria a explicar transações volumosas entre as empresas envolvidas e celebridades nacionais. O papel exato dessas figuras públicas e seu nível de conhecimento sobre a origem dos recursos ainda estão sendo averiguados. Por isso, o nome “Disco de Ouro” foi escolhido pela PF para designar essa operação.

By Canoas Informa

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