Estudo aponta que brasileiros identificam sintomas do câncer intestinal, mas hesitam em buscar ajuda médica

Uma pesquisa realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center, em colaboração com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, revelou que quase 50% das pessoas que notaram sangue nas fezes — um dos principais sinais de alerta para o câncer colorretal — não procuraram atendimento médico imediatamente. O estudo, que envolveu cerca de 2 mil entrevistados em todo o Brasil, foi divulgado na segunda-feira (20).

Os resultados do levantamento apresentam uma contradição interessante: embora a maioria dos brasileiros reconheça que a presença de sangue nas fezes ou mudanças persistentes no funcionamento intestinal são indicações sérias, apenas 42% consideram esses sintomas como “muito graves”. Mesmo assim, oito entre dez pessoas entrevistadas têm consciência da gravidade desses sinais.

Entre os participantes que relataram ter percebido sangue nas fezes, somente 59% buscaram ajuda médica logo após notar o sintoma. Dos demais, 19% optaram por esperar que o problema se resolvesse sozinho, enquanto 10% levaram dias ou até semanas para procurar um médico. Além disso, 7% tentaram aliviar a situação com remédios caseiros ou mudanças na dieta, 3% adquiriram medicamentos sem orientação profissional e 1% pesquisou informações online antes de consultar um especialista.

O que é o câncer colorretal e quais são os sintomas: O câncer colorretal ocorre no intestino grosso ou reto e frequentemente se origina de pólipos — lesões pequenas que podem crescer lentamente ao longo do tempo. Quando detectado precocemente, as chances de cura aumentam consideravelmente. Nos estágios iniciais, a doença pode não apresentar sintomas claros; entretanto, os sinais mais comuns incluem:

  • sangue nas fezes;
  • alterações persistentes no hábito intestinal;
  • dor abdominal;
  • sensação de evacuação incompleta;
  • perda de peso inexplicável;
  • anemia;
  • cansaço excessivo.

A presença desses sintomas não garante a existência de câncer, mas é fundamental que sejam avaliados por um médico.

A pesquisa também indicou que 67% da população brasileira relaciona sangue nas fezes e mudanças intestinais prolongadas ao câncer colorretal. Contudo, apenas 24% têm uma forte concordância com essa associação, enquanto 43% possuem uma visão moderada do risco envolvido.

Conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve enfrentar cerca de 53.810 novos casos da doença anualmente entre 2026 e 2028, posicionando o câncer colorretal como o segundo mais comum no País.

Diagnóstico

A colonoscopia é considerada o exame padrão para diagnóstico e rastreamento do câncer colorretal. Este procedimento permite a visualização interna do intestino, possibilitando a identificação de lesões precoces e a remoção de pólipos através de biópsias quando necessário. Normalmente, recomenda-se iniciar o rastreamento para pessoas a partir dos 45 anos. Para aqueles com histórico familiar da doença, o rastreamento deve começar dez anos antes da idade em que o familiar foi diagnosticado.

Outro exame relevante é a Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO), um teste simples que detecta pequenas quantidades de sangue invisíveis ao olho nu e orienta sobre quem deve ser encaminhado para investigações adicionais. No entanto, dois terços dos brasileiros (67%) afirmaram nunca ter ouvido falar desse exame e apenas 11% já realizaram esse procedimento.

Tratamento

A abordagem terapêutica para o câncer colorretal varia conforme a localização do tumor. Tumores no reto são geralmente tratados com uma combinação de quimioterapia, imunoterapia, radioterapia e cirurgia. Já os tumores localizados no cólon — parte superior do intestino — costumam demandar cirurgia e quimioterapia. Em entrevista anterior ao Pulsa, Poliana Blasi, oncologista do Hospital Municipal Gilson de Cássia Marques de Carvalho sob gestão do Einstein, destacou que a radioterapia é frequentemente utilizada em casos específicos como tratamento paliativo para metástases.

 

By Canoas Informa

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