A habilidade de caminhar de forma equilibrada na terceira idade é um indicador crucial da saúde do indivíduo. Pesquisas indicam que a prática frequente de atividades físicas pode ser fundamental para manter essa capacidade. A maioria das dificuldades relacionadas ao equilíbrio está ligada ao sedentarismo e à inatividade, além das transformações naturais que ocorrem com o envelhecimento.
Talita Cezaretu, que é educadora física e possui especialização em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, destaca que a continuidade na prática de exercícios é uma das maneiras mais eficazes de salvaguardar o equilíbrio e minimizar o risco de quedas entre os idosos.
“O equilíbrio e a marcha são resultados da coordenação conjunta de diversos sistemas, como os nervoso, musculoesquelético, cardiopulmonar e sensorial. Com o avanço da idade, esses componentes podem sofrer alterações, como a diminuição da acuidade visual e auditiva, lentificação das reações e mudanças no padrão de marcha. Além disso, ocorre perda de massa muscular, força e potência, além do desgaste progressivo dos ossos,” explica Talita.
Um dos principais indicadores a serem observados é a velocidade ao caminhar. Quando esta é inferior a 1,0 m/s, é necessário ficar alerta. Em uma pesquisa realizada com indivíduos com 75 anos ou mais, foi identificado que caminhar a menos de 0,7 m/s está ligado a um aumento de 5,4 vezes no risco de novas quedas e 5,9 vezes maior chance de hospitalização.
Outros sinais que merecem atenção incluem: necessidade de utilizar os braços para levantar-se da cadeira, arrastar os pés ao andar, ter uma base de apoio mais ampla, dar passos irregulares, hesitar antes de iniciar a marcha e enfrentar dificuldades crescentes em realizar atividades diárias. Sintomas como tontura, cansaço excessivo, medo de cair e a desistência de atividades ou lugares anteriormente frequentados podem sinalizar problemas no equilíbrio e na mobilidade.
“Identificar essas alterações precocemente possibilita investigar suas causas potenciais e sugerir intervenções personalizadas. O treinamento multicomponente pode ser uma dessas intervenções efetivas para preservar a funcionalidade dos idosos, reduzir o risco de quedas e prevenir lesões,” ressalta a especialista.
Segundo Talita, não existe um único tipo de exercício físico que seja capaz de garantir o equilíbrio por si só. O mais recomendável é adotar uma abordagem mais abrangente chamada treinamento multicomponente. Este método integra exercícios de fortalecimento muscular progressivo com treinamento aeróbico, além de focar no equilíbrio e na mobilidade.
O Consenso Global sobre Recomendações Ideais de Exercícios para Promover uma Longevidade Saudável em Idosos enfatiza que combinar treinamento de força com intensidade moderada a alta junto com exercícios específicos para equilíbrio representa a estratégia mais eficaz para diminuir o risco de quedas e manter a capacidade funcional dos idosos.
