Descubra a duração ideal do treino de força para evitar infartos

Caminhadas, corridas e passeios de bicicleta são frequentemente recomendados para a saúde do coração. No entanto, uma nova pesquisa revela que as mulheres podem se beneficiar ainda mais ao incorporar treinamentos de força em suas rotinas.

O estudo, publicado na renomada revista Journal of the American College of Cardiology (JACC), avaliou o tempo dedicado à musculação semanalmente e sua relação com a diminuição do risco de eventos cardiovasculares como infartos e AVCs entre mulheres.

A análise foi baseada em dados de mais de 117 mil participantes do Nurses’ Health Study (NHS), um dos estudos epidemiológicos mais relevantes e duradouros do mundo, que investiga os riscos de doenças crônicas e a influência do estilo de vida na saúde das mulheres.

Durante um período de 14,5 anos, foram registrados 5.459 casos graves relacionados ao sistema cardiovascular. A cada quatro anos, as mulheres informavam quanto tempo dedicavam semanalmente ao treinamento de força.

Com essas informações, os pesquisadores puderam avaliar a influência dos exercícios físicos no desenvolvimento de problemas cardíacos, com foco especial no treino de força.

Impactos na saúde cardiovascular

Os resultados mostraram que mulheres que se dedicavam a duas horas ou mais de musculação por semana tinham:

  • 20% menos chances de desenvolver doenças cardiovasculares graves;
  • 44% menos probabilidade de sofrer um infarto em comparação às que não realizavam esse tipo de atividade física.

No entanto, a pesquisa não conseguiu identificar uma correlação significativa entre o treinamento de força e a diminuição do risco de AVC.

Além disso, os dados indicam que a proteção cardíaca se intensifica conforme a frequência dos treinos aumenta. Cada hora extra dedicada à musculação por semana foi associada a uma queda de 5% no risco geral de doenças cardíacas e uma redução de 14% na probabilidade de infarto.

Os pesquisadores afirmam que até mesmo pequenas quantidades de treinamento de força podem ter um impacto significativo na diminuição do risco de problemas cardíacos nas mulheres.

O conceito de treino de força abrange atividades que desafiam os músculos contra alguma forma de resistência, incluindo musculação com aparelhos e pesos livres, circuitos funcionais e calistenia, que utiliza o peso corporal como resistência.

A equipe do estudo recomenda que o treinamento de força seja integrado como elemento fundamental nas estratégias preventivas contra doenças cardíacas em mulheres, juntamente com exercícios aeróbicos.

A pesquisa também revelou que aquelas que combinavam ambos os tipos de exercício obtiveram resultados ainda melhores: as participantes que realizavam pelo menos duas horas semanais de musculação e 150 minutos em atividades aeróbicas apresentaram um risco 45% menor de infarto em comparação às sedentárias.

“Para as mulheres que já seguem as diretrizes para exercícios aeróbicos, adicionar duas horas semanais de treino com pesos pode quase reduzir pela metade o risco de ataque cardíaco. Isso reforça fortemente a importância da combinação desses tipos de exercício para prevenção”, declarou Edward Giovannucci, professor da Escola Harvard T.H. Chan e um dos autores da pesquisa.

Cardiopatias como principal causa mortis feminina

Problemas cardiovasculares são responsáveis por mais mortes entre mulheres do que qualquer outra enfermidade. Infartos, AVCs e outras condições relacionadas ao coração são as principais causas fatais entre o público feminino globalmente, superando todos os tipos cancerígenos.

Embora estudos anteriores tenham analisado o papel dos exercícios aeróbicos na prevenção dessas doenças, os efeitos específicos do treinamento resistido ainda são menos compreendidos. Os autores acreditam que suas descobertas podem contribuir para o desenvolvimento de estratégias preventivas mais eficazes voltadas para as mulheres.

A combinação saudável dos hábitos traz resultados ainda mais significativos. As mulheres que uniam treinamento resistido à atividade aeróbica recomendada e limitavam seu tempo assistindo à televisão a menos de duas horas diárias apresentaram um risco aproximadamente 40% menor para doenças cardiovasculares em comparação às participantes que não seguiam essas orientações.

Esse efeito foi mais pronunciado do que aquele observado entre as participantes que apenas realizavam exercícios aeróbicos e mantinham baixa permanência sentadas. As informações foram veiculadas por meio da revista Veja.

By Canoas Informa

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