Butantan projeta lançamento de vacina contra a dengue para 2027

O Instituto Butantan projeta que a vacina contra a dengue, conhecida como Butantan DV, poderá ser reintroduzida ao mercado em 2027, após a condução de novas pesquisas e investigações detalhadas.

A informação foi divulgada por Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan, durante uma entrevista ao Live CNN na última terça-feira (9). Ele elucidou os fatores que levaram à suspensão preventiva da vacinação pelo Ministério da Saúde.

Conforme Kallás, essa interrupção foi motivada pela análise das primeiras 500 mil pessoas vacinadas, que indicou a possibilidade de eventos adversos não previamente identificados.

“Estes são efeitos colaterais que poderiam estar relacionados à vacina e que não foram detectados nas etapas de pesquisa anteriores”, afirmou o diretor.

Ele enfatizou que a pausa na imunização permitirá uma análise mais aprofundada dos dados e busca por explicações sobre as reações observadas em indivíduos afetados, incluindo a identificação de grupos específicos que possam ter maior propensão a reações adversas ao imunizante.

Kallás sublinhou que a vacina passou por todas as etapas rigorosas do desenvolvimento clínico, incluindo um estudo de fase 3 com cerca de 11 mil participantes. Além disso, uma vacinação piloto ocorreu em três cidades brasileiras: Botucatu (SP), Nova Lima (MG) e Maranguape (CE).

Nessas localidades, mais de 80 mil pessoas foram vacinadas sem registro de efeitos adversos. Os problemas começaram a ser notados nas campanhas subsequentes, que incluíram profissionais de saúde da linha de frente.

Investigação colaborativa

Kallás informou que o Instituto Butantan está colaborando com o Ministério da Saúde, através do Programa Nacional de Imunizações, e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para investigar as causas dos eventos adversos. A Anvisa já formou um grupo de especialistas para monitorar esse processo.

“A comunicação entre Butantan, o Ministério da Saúde e a Anvisa está fluindo bem, e estamos estabelecendo grupos de trabalho conjuntos para buscar as melhores respostas possíveis”, declarou Kallás.

Além disso, o diretor mencionou que o Instituto possui mais de 45 milhões de doses disponíveis na forma de IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) em estoque, pronto para envase. Essas doses foram produzidas tanto pelo próprio Butantan quanto por uma empresa parceira.

Entretanto, a programação da produção está sendo revista à medida que as análises avançam. “Ainda não temos uma resposta definitiva; isso dependerá dos resultados das investigações e das análises dos dados para tomarmos uma decisão”, concluiu Kallás.

By Canoas Informa

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