Entenda os sinais da gripe, tratamentos disponíveis e quando buscar ajuda médica

A gripe é responsável por um número significativo de hospitalizações e óbitos anualmente no Brasil, afetando especialmente grupos vulneráveis como idosos, crianças pequenas, gestantes e indivíduos com doenças crônicas. Apesar de muitas vezes ser encarada como uma condição leve, a gripe pode resultar em complicações sérias para esses públicos mais suscetíveis.

A seguir, apresentamos as principais perguntas relacionadas à doença, com respostas elaboradas por profissionais da saúde.

– Gripe e influenza são sinônimos? Sim. O termo influenza refere-se ao vírus que provoca a gripe. Os sintomas geralmente aparecem de maneira rápida, frequentemente de um dia para o outro, e incluem febre, dores corporais, cefaleia, mal-estar, fadiga e tosse seca. Além disso, podem ocorrer dor de garganta, coriza e congestão nasal.

– Quais sinais ajudam a distinguir gripe de resfriado e Covid? A gripe tende a manifestar-se de forma abrupta, com febre alta e sintomas como dor no corpo e cansaço. Em contraste, o resfriado é geralmente mais leve e se desenvolve gradualmente, apresentando coriza, espirros e dor de garganta.

A Covid-19 pode apresentar sintomas semelhantes à gripe ou ao resfriado; no entanto, está frequentemente associada à perda do olfato e paladar, além de um risco elevado de problemas pulmonares severos. Dependendo da variante do vírus, a Covid também pode causar sintomas como coriza e espirros.

– Quais são os grupos mais propensos a complicações graves devido à gripe? Os grupos que apresentam maior risco incluem idosos, crianças com menos de dois anos, gestantes e pessoas que enfrentam doenças crônicas ou têm o sistema imunológico comprometido. Em crianças pequenas e na população idosa, a gripe é mais propensa a evoluir para pneumonia ou síndrome respiratória aguda grave (SRAG).

Indivíduos com doenças respiratórias crônicas como asma também estão em risco elevado de complicações e podem necessitar do uso de antivirais em casos de síndrome gripal.

– A febre é um sintoma constante na gripe? Não necessariamente. Embora seja comum que a febre seja alta durante a gripe, ela não está presente em todos os casos.

– A febre associada à gripe deve ser uma preocupação? A febre isoladamente não indica gravidade em casos gripais; contudo, se a febre retornar após uma melhora inicial, isso pode sinalizar uma infecção secundária como pneumonia ou otite.

– É normal sentir falta de ar durante uma gripe? Normalmente, falta de ar não é um sintoma esperado em casos simples de gripe. Essa condição pode sugerir um agravamento do quadro clínico ou problemas pulmonares graves, especialmente em indivíduos frágeis.

– Como reconhecer sinais de pneumonia após contrair gripe? A evolução da gripe para pneumonia é possível em pacientes vulneráveis. Sinais que requerem atenção incluem febre alta persistente, tosse intensa, dor no peito, falta de ar acentuada e fraqueza significativa. Outros sintomas preocupantes são confusão mental e secreção amarelada ou esverdeada.

Sintomas respiratórios que pioram ou não melhoram após uma infecção gripal devem ser examinados por um profissional médico.

– Quando a gripe deixa de ser considerada leve? Embora muitos casos sejam leves e durem entre três a cinco dias, a influenza pode se transformar em quadros graves como pneumonia ou síndrome respiratória aguda grave. Além disso, pode agravar condições já existentes principalmente entre idosos e crianças pequenas.
Sintomas como febre alta persistente, dificuldade respiratória intensa ou outros sinais indicativos de agravamento devem ser avaliados por um médico imediatamente.

– Em quais situações o uso de antivirais é recomendado para tratamento da gripe? O antiviral oseltamivir (Tamiflu) está disponível nos postos de saúde mediante prescrição médica. Ele é indicado para todos os casos de síndrome respiratória aguda grave e para pacientes com risco elevado de complicações associadas à síndrome gripal. O tratamento deve ser iniciado preferencialmente nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas para maior eficácia.

– Existem medicamentos que podem agravar os sintomas da gripe? Sim. Alguns remédios que atuam como descongestionantes nasais podem elevar a pressão arterial e aumentar o acúmulo de secreções nos seios faciais, favorecendo infecções bacterianas secundárias. Os antibióticos também não devem ser utilizados sem orientação médica pois são ineficazes contra infecções virais como a gripe.

– Quais medidas aliviam os sintomas gripais? Segundo Giovanna Marssola, infectologista do Hospital Samaritano Higienópolis, não existe um único remédio eficaz contra a gripe; o tratamento consiste em uma combinação de cuidados como lavagem nasal com soro fisiológico adequada hidratação (água, chá ou água de coco) e descanso adequado.

– Paracetamol e ibuprofeno são úteis no combate à gripe? Embora esses medicamentos não combatam diretamente o vírus da gripe conforme explica Marssola, eles podem ajudar a amenizar sintomas como dor corporal e febre.

– Antibióticos são eficazes contra a gripe? Não. Como a gripe é provocada por vírus e antibióticos agem apenas contra bactérias. Apenas em casos onde há infecções bacterianas secundárias como sinusite os antibióticos podem ser indicados segundo Giovanna Marssola.

– O uso de corticoides é recomendado durante a gripe? Geralmente não. A médica observa que corticoides podem trazer efeitos colaterais indesejados e até encobrir o progresso da doença; portanto devem ser utilizados somente sob supervisão médica.

– Qual é o modo de transmissão da gripe? A transmissão ocorre pelo ar através das gotículas expelidas por indivíduos infectados ao tossir ou espirrar.

– É possível contrair gripe mais de uma vez dentro do mesmo ano? Sim. O vírus influenza apresenta mutações frequentes resultando na circulação variadas cepas que possibilitam novas infecções mesmo após recente contágio.

– A vacina contra a gripe pode provocar a doença? Não. A vacina utiliza vírus inativados ou fragmentos incapazes de causar infecção. Após vacinação algumas pessoas podem sentir efeitos colaterais leves temporários como mal-estar ou febre baixa mas isso não indica que estão gripadas; trata-se apenas da resposta normal do corpo ao imunizante.
Além disso, pode haver contágio mesmo após vacinação caso haja exposição ao vírus antes do desenvolvimento total da proteção; geralmente leva entre 10 a 15 dias após aplicação para que comece seu efeito real.

– Por qual razão devo vacinar-me anualmente contra a gripe? Devido às constantes mutações do vírus influenza que fazem com que o sistema imunológico não reconheça variantes recentes; assim sendo,a fórmula da vacina é atualizada anualmente conforme as recomendações da OMS baseando-se no monitoramento global das cepas circulantes.. Além disso,a proteção gerada pela vacina tende a diminuir com o tempo.

– Posso contrair gripe mesmo tendo sido vacinado? Sim. Nenhuma vacina oferece proteção absoluta; as frequentes mutações do vírus ainda permitem contrair a doença após vacinação.Todavia,a vacina continua sendo fundamental pois reduz drasticamente o risco associado à formas graves da enfermidade além das complicações potenciais,hospitalização e mortalidade.Ademais,pessoas vacinadas costumam apresentar sintomas menos severos caso venham a contrair o vírus.
As informações foram compiladas por meio dos dados disponíveis sobre saúde pública no Brasil.

By Canoas Informa

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