Globalmente, estima-se que mais de 10 milhões de indivíduos tenham sido diagnosticados com a doença de Parkinson. Para esses pacientes, os avanços científicos têm proporcionado alternativas tanto farmacológicas quanto cirúrgicas que podem atenuar os sintomas associados à condição, como dores, tremores e dificuldades de locomoção. Uma inovação significativa aprovada este ano no Japão envolve o uso de células-tronco reprogramadas, representando um progresso na busca pela contenção da progressão deste transtorno neurológico, até então considerada inevitável.
Até o momento, o novo tratamento foi testado em sete pacientes e recebeu aprovação condicional para os próximos sete anos. A abordagem visa mitigar os efeitos da morte dos neurônios dopaminérgicos, que desempenham um papel central nesta condição de saúde. Embora os resultados iniciais tenham sido promissores—com uma redução nos tremores reportada—é necessário realizar mais pesquisas para determinar se a novidade realmente proporciona uma diminuição sustentada na progressão da doença ou até mesmo a interrompe por completo.
A conquista da aprovação condicional é histórica, pois marca a primeira vez que uma terapia celular voltada para o tratamento do Parkinson recebe tal sinal verde no Japão. Essa indicação é especialmente direcionada a pacientes cujos casos são resistentes e que não apresentam respostas satisfatórias aos tratamentos medicamentosos disponíveis até o momento.
“Os pacientes mostraram melhora, mas ainda há espaço para aperfeiçoamentos na técnica. O acompanhamento continuará, com dados sendo reportados ao governo e monitoramento da segurança em andamento. Este tratamento representa um avanço significativo, pois obteve sucesso. Em tentativas anteriores no Canadá, as células se multiplicaram excessivamente”, comentou Rubens Cury, neurologista do Hospital Israelita Albert Einstein em São Paulo. Ele ressaltou que embora já tenham havido esforços anteriores com células-tronco para tratar Parkinson, esta é a primeira vez que se obtém êxito.
Outro importante projeto visando reduzir os efeitos do Parkinson é conduzido pela empresa BlueRock Therapeutics, adquirida pela Bayer em 2019. Esta biotecnológica está desenvolvendo um tratamento baseado em células-tronco manipuladas em laboratório para se transformarem em neurônios produtores de dopamina, com a esperança de que essa abordagem possa alterar o curso da doença. Importante ressaltar que ao chegarem ao cérebro, essas células-tronco já estão quase totalmente diferenciadas em neurônios e não estão mais em fase de replicação.
Atualmente, o estudo clínico encontra-se na fase 3 do desenvolvimento—geralmente a última etapa antes de solicitar aprovação das agências reguladoras. Contudo, essa fase está apenas começando e levará ainda alguns anos até que os resultados dessa pesquisa sejam divulgados; cerca de 100 voluntários deverão ser recrutados para essa última etapa.
“O acompanhamento dos pacientes seguirá por aproximadamente cinco anos após a cirurgia. O que observamos até agora nas fases anteriores sugere um efeito duradouro por três anos. Tanto em termos de segurança e tolerabilidade quanto de eficácia, tudo indica um perfil favorável entre benefícios e riscos por pelo menos três anos”, afirmou Gabriel Belfort, vice-presidente da BlueRock Therapeutics.
Revoluções
Um dos primeiros avanços significativos no tratamento do Parkinson foi a introdução do medicamento levodopa. Essa droga atua como um repositor de dopamina no cérebro e pode aliviar os sintomas motores associados à doença.
A dopamina é central nos novos tratamentos para Parkinson devido à sua diminuição progressiva na condição; esse neurotransmissor é crucial para controlar movimentos essenciais como falar, comer e escrever. Além disso, seu déficit pode estar associado ao surgimento de problemas como ansiedade, depressão, distúrbios do sono e dores.
