Uso frequente de medicamento cardíaco pode ser fatal para mulheres

Um estudo inovador revelou que os betabloqueadores, medicamentos amplamente utilizados no tratamento pós-infarto, não trazem benefícios para a maioria dos pacientes e podem até aumentar o risco de hospitalização e morte em algumas mulheres. Essa descoberta deve reformular as diretrizes clínicas internacionais sobre o uso desses medicamentos em homens e mulheres, de acordo com Dr. Valentin Fuster, autor sênior do estudo.

As mulheres com pouco dano cardíaco após um infarto, que foram tratadas com betabloqueadores, tiveram um risco maior de novos infartos, insuficiência cardíaca e morte em comparação com aquelas que não tomaram o remédio. Essa disparidade foi particularmente significativa em mulheres que receberam doses mais altas do medicamento, segundo o Dr. Borja Ibáñez, autor principal da pesquisa. No entanto, esses resultados se aplicam apenas a mulheres com fração de ejeção do ventrículo esquerdo acima de 50%, indicando função cardíaca normal.

Os betabloqueadores ainda são recomendados para pacientes com fração de ejeção abaixo de 40%, pois ajudam a controlar arritmias que podem levar a outro evento cardíaco. No entanto, esses medicamentos podem causar efeitos colaterais indesejados, como pressão baixa, batimentos cardíacos lentos e disfunção erétil, o que ressalta a importância de equilibrar os riscos e benefícios ao prescrevê-los, de acordo com o Dr. Andrew Freeman, especialista em prevenção cardiovascular.

É importante considerar que o organismo das mulheres pode reagir de maneira diferente aos medicamentos, e fatores como o tamanho do coração e a sensibilidade aos medicamentos para pressão arterial podem influenciar nessa disparidade. Como as doenças cardíacas se manifestam de forma distinta em homens e mulheres, a pesquisa médica precisa continuar explorando essas diferenças e adaptar os tratamentos cardiovascular de acordo.

O estudo clínico REBOOT acompanhou um grande número de homens e mulheres e concluiu que não há benefícios no uso de betabloqueadores para aqueles com função cardíaca preservada após um infarto. Essa mudança de paradigma pode ser explicada pelos avanços no tratamento imediato de pacientes com infarto, que resultaram em melhores taxas de sobrevivência e menor dano cardiovascular.

Embora as diretrizes médicas atuais ainda recomendem o uso de betabloqueadores para a maioria dos pacientes pós-infarto, é essencial continuar investigando e questionando a necessidade de tratamentos convencionais, especialmente à luz de novas evidências como as apresentadas por essa pesquisa.

Em resumo, os betabloqueadores podem não ser benéficos para mulheres com função cardíaca preservada após um infarto, e a individualização do tratamento com base no sexo e nas características únicas de cada paciente pode ser crucial para melhorar os resultados clínicos a longo prazo.

 

By Canoas Informa

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