Na última sexta-feira (2), os líderes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da França, Emmanuel Macron, anunciaram a coordenação para a liberação de reservas de combustíveis que pertencem a nações europeias e outros membros do G7. Essa ação surge em resposta à crescente alta nos preços dos derivados de petróleo e às inquietações relacionadas ao abastecimento global.
O anúncio foi feito após uma videoconferência convocada por Macron, que ocorreu após uma conversa com Trump. Durante essa reunião, o grupo revelou que irá liberar, de forma coordenada, um total de 100 milhões de barris de petróleo e seus derivados através da Agência Internacional de Energia (AIE). A operação terá início imediato e se estenderá por um período de quatro meses.
Nos primeiros 20 dias dessa operação, uma quantidade significativa de diesel deverá ser disponibilizada. Contudo, a declaração conjunta não especificou qual proporção do volume total seria destinada especificamente ao diesel nem informou a quantia que cada país contribuirá.
Antes desse comunicado, representantes dos governos europeus estavam debatendo uma proposta da França, que sugeria liberar 50 milhões de barris de diesel, enquanto os países associados à AIE disponibilizariam mais 50 milhões de barris de petróleo bruto. Essa ideia foi discutida em reuniões entre representantes das nações europeias.
Trump mencionou em uma postagem na rede Truth Social que a Europa aceitou liberar uma quantidade considerável dos seus estoques de diesel e que o processo teria início imediato. Esse anúncio segue semanas de pressão do governo norte-americano para que as nações europeias colocassem parte de suas reservas no mercado.
A administração Trump vinha promovendo a utilização das reservas europeias como uma estratégia para aumentar a oferta de combustíveis e ajudar a controlar os preços. Na quinta-feira (1º), o governo dos EUA havia pressionado França e Alemanha para diminuírem suas reservas emergenciais, ameaçando possíveis restrições às exportações americanas de diesel.
O mercado de diesel tem enfrentado desafios devido a interrupções no fornecimento global de petróleo e seus derivados. A tensão entre Estados Unidos e Irã impactou a oferta mundial, enquanto a Rússia impôs restrições às suas exportações e as refinarias ucranianas foram afetadas pelo conflito com Moscou. Além disso, refinarias na China também diminuíram suas exportações para fortalecer seus estoques internos.
Nos últimos anos, a Europa aumentou sua dependência das importações de diesel vindas dos Estados Unidos. Uma eventual limitação nas exportações norte-americanas poderia restringir ainda mais a oferta no mercado europeu, elevando assim a pressão sobre os preços.
Na declaração emitida após a reunião do G7, os países integrantes do grupo reafirmaram seu compromisso em evitar restrições nas exportações de energia e produtos energéticos entre eles. Essa medida visa garantir um fluxo internacional contínuo de combustíveis em um momento crítico para o mercado.
