Um trágico naufrágio na costa do Djibuti resultou na morte de pelo menos 109 migrantes, entre os quais 15 eram crianças, e mais de 116 pessoas continuam desaparecidas. A informação foi divulgada pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) neste domingo (11).
Alexandre Coissac, responsável pela missão da OIM no Djibuti, expressou sua tristeza: “Essa é uma perda devastadora de vidas. Nossos pensamentos estão voltados para os sobreviventes e para as famílias que perderam entes queridos ou que ainda aguardam notícias de seus parentes.” Ele destacou que equipes da OIM estão na região colaborando com as autoridades locais para fornecer assistência emergencial.
Conforme relatos de pessoas que conseguiram sobreviver, a embarcação estava realizando a travessia do Djibuti rumo ao Iêmen na madrugada de sexta-feira (9) quando virou próximo a Guhere, ao norte de Obock, durante a noite entre os dias 8 e 9 de outubro.
Entre os corpos já recuperados, 52 pertencem a homens, 42 a mulheres e 15 a crianças — sendo nove meninas e seis meninos. No total, mais de 80 indivíduos conseguiram sobreviver ao naufrágio, todos de nacionalidade etíope.
A OIM está oferecendo suporte a 64 sobreviventes no Centro de Resposta a Migrantes em Obock. Os serviços disponibilizados incluem atendimento médico, apoio psicológico, proteção social, abrigo temporário e alimentação. Além disso, a organização está ajudando na reestabelecimento do contato com familiares das vítimas.
Diante do elevado número de desaparecidos, as autoridades djibutianas seguem com as operações de busca e resgate. Equipes locais também estão prestando assistência médica aos sobreviventes e organizando sepultamentos dignos para aqueles que perderam a vida no incidente.
Rota migratória arriscada
Anualmente, dezenas de milhares de migrantes oriundos do Chifre da África atravessam o território djibutiano e o estreito de Bab el-Mandeb com destino ao Iêmen. Eles buscam segurança, estabilidade e oportunidades laborais nos países do Golfo.
A pobreza extrema, a insegurança e os efeitos das mudanças climáticas impulsionam muitas pessoas a fazer essa travessia arriscada, mesmo diante da instabilidade no Oriente Médio. Apesar da violência persistente no Iêmen, migrantes continuam dispostos a percorrer essa rota em busca de melhores condições de vida.
Desde o dia 10 de setembro, mais de 20 mil deslocamentos provenientes da Etiópia foram documentados pela Matriz de Rastreamento de Deslocamento da OIM no Djibuti.





