Christa Pike, que foi submetida a duas injeções letais após ser condenada à pena capital no Tennessee, EUA, permanece viva e está recebendo cuidados médicos para estabilizar sua condição crítica, conforme relato de seus advogados.
Randy Spivey, um dos defensores de Pike, revelou que a execução, que ocorreu na noite da última quarta-feira (30), envolveu a inserção de pelo menos sete agulhas em seu braço esquerdo. Durante uma coletiva de imprensa na quinta-feira (1º), ele comentou que uma das agulhas parecia deformada quando foi retirada.
Os representantes legais da condenada informaram que ela recebeu duas doses do medicamento pentobarbital, utilizado nas injeções letais. Eles apontaram que o procedimento foi marcado por diversas falhas e erros na comunicação entre os profissionais encarregados da execução.
“O governador deve comutar a pena de Christa imediatamente”, declarou o advogado durante a entrevista.
Investigação
Em resposta ao incidente durante a execução de Pike, o governador do Tennessee, Bill Lee, solicitou uma investigação independente e decidiu suspender as execuções no estado até o fim do ano – havia apenas mais uma pena de morte programada.
Aos 50 anos, Christa Pike estava agendada para ser executada às 10h da quarta-feira devido ao assassinato cometido quando tinha apenas 18 anos. Sua execução seria um marco histórico, tornando-a a primeira mulher a receber tal pena no Tennessee em mais de 200 anos.
Pike e seu namorado foram condenados pelo brutal esfaqueamento e espancamento de Colleen Slemmer, uma jovem de 19 anos e colega deles em uma instituição profissional em Knoxville, em 1995. O caso ganhou notoriedade devido a um pentagrama gravado no corpo da vítima e outros elementos que despertaram temores sobre seitas satânicas durante o chamado “pânico satânico” nas décadas de 1980 e 1990.
Uma corte de apelações havia suspendido temporariamente a injeção letal apenas uma hora antes da execução prevista, mas horas depois a Suprema Corte dos Estados Unidos revogou essa suspensão.
Caso único
Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center (Centro de Informações sobre a Pena de Morte), afirmou que o incidente envolvendo Pike é “excepcional e sem precedentes”.
Ela observou que outras sete pessoas já haviam sobrevivido a complicações médicas decorrentes da dificuldade das equipes em acessar veias para administrar os medicamentos necessários, mas ninguém havia permanecido vivo após receber as substâncias utilizadas nas execuções.
Após os problemas ocorridos na execução, os advogados de Pike comentaram:
“Não sentimos alegria em estar certos, mas as preocupações levantadas por Christa se mostraram válidas: dificuldades no acesso venoso, veias rompidas, pentobarbital deteriorado e falta de atendimento médico emergencial quando as situações dão errado – tudo isso sob um protocolo que ainda é envolto em sigilo.”
