Senadores americanos advertem Trump sobre possíveis intromissões no Brasil

Um grupo de senadores norte-americanos dirigiu uma correspondência ao governo do presidente Donald Trump, expressando preocupações a respeito de possíveis interferências nas eleições brasileiras.

A carta foi assinada pelos senadores democratas Jeanne Shaheen, Peter Welch e Tim Kaine e encaminhada, na segunda-feira (28), ao secretário de Estado, Marco Rubio.

No documento, os parlamentares destacam que autoridades dos Estados Unidos estiveram envolvidas em uma “campanha de desestabilização no Brasil” durante o segundo mandato de Trump.

Os senadores ressaltaram que esse esforço se intensificou significativamente no verão de 2025, quando o governo adotou tarifas e sanções específicas com a intenção de impactar a decisão da Suprema Corte brasileira sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi acusado de tentar perpetrar um golpe militar para se manter no poder.

De forma semelhante ao que foi apresentado em um comunicado anterior, Shaheen, Welch e Kaine enfatizaram a nomeação de Darren Beattie para um cargo no Departamento de Estado relacionado ao Brasil. Eles descrevem Beattie como um “extremista de direita e supremacista branco”.

Os senadores alertaram que as ações recentes do governo indicam uma tentativa clara de influenciar as eleições gerais brasileiras programadas para outubro e, potencialmente, desestabilizá-las. A recente reunião no Salão Oval entre Trump e Flávio Bolsonaro, senador e candidato à presidência, que ocorreu enquanto este tentava lidar com um escândalo político local, demonstra a disposição do governo em intervir nas eleições.

Segundo eles, “a diferença em relação à postura dos Estados Unidos nas últimas eleições presidenciais do Brasil é evidente”.

“Atualmente, em vez de apoiar a democracia brasileira, os EUA estão utilizando pressão diplomática e econômica que pode comprometer as instituições democráticas locais, erodir a confiança no processo eleitoral brasileiro e prejudicar ainda mais as relações com um parceiro comercial e aliado estratégico”, afirmaram.

Além disso, os senadores apontaram que “essas medidas refletem um padrão alarmante de interferência do governo Trump em processos eleitorais na América Latina”, citando casos recentes como as eleições intermediárias na Argentina e as presidenciais na Honduras e Colômbia. Eles concluíram que esse padrão não apenas ameaça a integridade das eleições em cada nação envolvida, mas também mina progressivamente a confiança pública nas instituições democráticas da região.

By Canoas Informa

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