Previsão do INCA: Brasil deve registrar 2,3 milhões de novos casos de câncer até 2024

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) do Ministério da Saúde divulgou recentemente o relatório “Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil”. De acordo com o documento, está previsto um total de 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil, entre 2026 e 2028, o que resulta em mais de 2,3 milhões de novos diagnósticos da doença no próximo triênio.

As projeções confirmam que o câncer está se tornando uma das principais causas de adoecimento e morte no Brasil, se aproximando das doenças cardiovasculares. Esses números refletem não apenas o envelhecimento da população, mas também as desigualdades regionais e os desafios persistentes no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno.

Excluindo o câncer de pele não melanoma, os tipos mais comuns de câncer no Brasil em 2026 serão:

– Mama feminina – 78.610 casos/ano (15,2%);

– Próstata – 77.920 (15,0%);

– Cólon e reto – 53.810 (10,4%);

– Traqueia, brônquio e pulmão – 35.380 (6,8%);

– Estômago – 22.530 (4,3%).

Para os homens, a estimativa é de 256 mil novos casos. Os cinco tipos de câncer mais comuns são próstata (30,5%), cólon e reto (10,3%), pulmão (7,3%), estômago (5,4%) e cavidade oral (4,8%). Já entre as mulheres, são esperados 262 mil novos casos, com predominância de cânceres de mama (30,0%), cólon e reto (10,5%), colo do útero (7,4%), pulmão (6,4%) e tireoide (5,1%).

O câncer de pele não melanoma continua sendo o mais comum em ambos os sexos, com 263 mil novos casos anuais, representando 30% de todos os casos de câncer.

O relatório também destaca cânceres que podem ser prevenidos e diagnosticados precocemente, como o do colo do útero e o colorretal, que ainda figuram entre os mais prevalentes no país. Por exemplo, a vacinação contra o HPV, disponível gratuitamente na rede pública para meninos e meninas, pode prevenir o câncer do colo do útero, que é a segunda neoplasia mais presente nas regiões Norte e Nordeste e a terceira no Centro-Oeste e Sudeste, ressaltando as desigualdades estruturais no acesso à saúde.

O câncer colorretal pode ser diagnosticado precocemente por meio de colonoscopia e exames de sangue nas fezes. Outros tumores comuns, como os de mama e próstata, também possuem exames eficazes de rastreamento.

Carlos Gil Ferreira, diretor médico da Oncoclínicas e presidente do Instituto Oncoclínicas, comenta: “Estamos observando o aumento de tendências previamente anunciadas. O crescimento reflete o envelhecimento da população, bem como a exposição contínua a fatores evitáveis como sedentarismo, obesidade, alimentação inadequada e tabagismo – agora agravados pelo uso crescente de cigarros eletrônicos entre os jovens”.

Desigualdades regionais

Análises regionais revelam diferenças significativas no perfil do câncer entre as regiões do Brasil. No Sul e Sudeste, predominam tumores associados ao estilo de vida urbano, como mama, próstata e colorretal. Já no Norte e Nordeste, os cânceres relacionados a condições evitáveis, como colo do útero e estômago, ganham destaque devido a fatores como infecções, saneamento precário e baixa cobertura vacinal.

Entre homens nessas regiões, o câncer gástrico é mais comum. Já no Sul e Sudeste, os tumores relacionados ao tabagismo, como pulmão e cavidade oral, são mais frequentes.

Carlos Gil ressalta: “Esses padrões refletem a interação entre fatores demográficos, ambientais, estilo de vida e desigualdades no acesso aos serviços de saúde”.

Prevenção e diagnóstico precoce

O controle do tabagismo continua sendo uma das medidas mais eficazes na prevenção de diferentes tipos de câncer, assim como a redução do consumo de álcool. Uma alimentação saudável e a prática de atividade física também contribuem para diminuir o risco de diversos tipos de câncer.

By Canoas Informa

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