Nesta terça-feira (14), o papa Leão XIV visitou a antiga cidade natal de Santo Agostinho de Hipona, que fica na Argélia e foi uma grande inspiração para sua vocação sacerdotal.
Durante a homenagem a Agostinho, o papa enfatizou sua ligação pessoal com essa figura seminal da Igreja, que foi pioneira na formulação de critérios para determinar se as guerras podem ser classificadas como justas.
A visita ocorre em um contexto de críticas por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação às declarações de Leão sobre o conflito no Oriente Médio. Santo Agostinho, falecido em 430 d.C., argumentou que guerras deveriam ser travadas unicamente em defesa contra agressões ou para proteger aqueles que são inocentes, com o objetivo de restabelecer a paz e não por um desejo de violência.
Esses princípios, atualizados ao longo do tempo, permanecem como parte da doutrina católica vigente. Eles foram citados por críticos da guerra no Irã para sustentar que o conflito iniciado com os ataques aéreos dos EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro é imoral.
Entre esses críticos está Robert McElroy, cardeal de Washington, que declarou no domingo (12) que a guerra é “moralmente ilegítima”, referindo-se aos ensinamentos de Agostinho. O papa Leão, que atualmente realiza uma viagem de dez dias por quatro países africanos, afirmou à Reuters na segunda-feira (13) que continuará denunciando a guerra apesar das observações feitas por Trump.
Durante sua visita aos vestígios da cidade histórica de Hipona — hoje conhecida como Annaba — na costa nordeste da Argélia, o pontífice não fez declarações. Sob uma leve chuva, ele homenageou a cidade colocando uma coroa de rosas amarelas e brancas e ajudou escoteiros muçulmanos argelinos vestidos com uniformes marrons a plantar uma muda.
No entanto, em um encontro posterior em uma casa de repouso administrada por irmãs católicas nas proximidades, Leão voltou a se manifestar. “O coração de Deus está dilacerado por guerras, violência, injustiça e mentiras”, disse ele aos moradores do lar das Irmãzinhas dos Pobres.
“O coração de nosso Pai não está com os perversos, os arrogantes ou os orgulhosos”, concluiu o papa.
