Saúde

OMS dá início ao pioneiro ensaio clínico para vacina contra o vírus Ebola

Por Canoas Informa 3 min de leitura

Na última sexta-feira (23), a Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou o lançamento de seu primeiro estudo clínico para uma vacina contra a cepa do Ebola que atualmente aflige a República Democrática do Congo (RDC). Este surto já resultou na morte de mais de 4 mil indivíduos nos últimos meses.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou pelo X que os primeiros voluntários receberam o imunizante Ervebo em Bunia, que é a capital da província de Ituri, zona considerada o epicentro da epidemia.

A vacina Ervebo já possui autorização para uso contra a cepa Zaire do Ebola, bastante comum. Agora, será testada em humanos para avaliar se pode oferecer proteção cruzada contra a cepa Bundibugyo, responsável pela atual crise sanitária, desde que as semelhanças entre os vírus sejam suficientes.

Tedros expressou otimismo ao afirmar: “Este estudo vai nos ajudar a entender se alguma das vacinas candidatas desenvolvidas para o vírus Bundibugyo terá eficácia”.

Em maio, a RDC declarou seu 17º surto de Ebola, considerado o mais severo da sua história, com mais de 9.700 casos e aproximadamente 4.600 mortes até o momento. A OMS classificou essa situação como uma “emergência de saúde pública de preocupação internacional”, que representa o segundo nível mais elevado em sua escala de alerta.

Desde então, a epidemia se espalhou para outros quatro países africanos: Quênia, Nigéria e Uganda, além da própria RDC.

Atualmente, o estudo clínico denominado Tumaini está prestes a iniciar sua segunda fase (sendo três no total) focada na segurança, eficácia e imunogenicidade de diversas vacinas contra o Ebola por meio da imunização de indivíduos em alto risco de contaminação.

Dentre as vacinas-candidatas específicas para a cepa Bundibugyo que serão incluídas no estudo estão duas que já foram aprovadas em testes iniciais menores. Uma delas é a adenoviral ChAdOx1, desenvolvida pela Universidade de Oxford; a outra é um produto do laboratório americano Moderna que utiliza tecnologia baseada em RNA mensageiro.

Ambas as vacinas recebem apoio financeiro da CEPI (Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias), uma organização que conta com parceria do Fórum Econômico Mundial, além dos governos da Índia e Noruega e da Fundação Bill & Melinda Gates.

Os testes incluirão mulheres grávidas e crianças acima de 12 anos, grupos frequentemente excluídos dos ensaios clínicos tradicionais. Chikwe Ihekweazu, diretor de emergências da OMS, acredita que esses estudos fornecerão as evidências necessárias para determinar se as vacinas são capazes de proteger aqueles em situação de risco.

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