O nome do ministro da Educação, Camilo Santana (PT-CE), tem ganhado força para a disputa ao governo do Ceará em meio à rearticulação da oposição liderada por Ciro Gomes. O retorno do ex-presidenciável ao PSDB e a movimentação no campo da direita aprofundaram rompimentos entre aliados históricos e colocam em dúvida a reeleição do atual governador, Elmano de Freitas (PT-CE).
Integrantes da oposição e do campo governista indicam que Elmano de Freitas ainda não conseguiu construir uma marca própria à frente do Executivo. Segundo esses interlocutores, o governador também apresenta fragilidades no debate sobre segurança pública.
Camilo Santana deve deixar o comando do MEC após a apresentação de um balanço das ações da pasta referentes a 2025, até março. Ministros que pretendem disputar a eleição deste ano precisam se desincompatibilizar do cargo até abril, conforme determina a legislação eleitoral.
Ele afirmou a jornalistas nesta segunda-feira, 19, que, se sair da pasta, será para atuar nas campanhas de Elmano e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ciro Gomes e Elmano de Feitas não se manifestaram até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.
A interpretação é reforçada pelo levantamento de um instituto de pesquisa, divulgado em dezembro, que indica Camilo Santana na liderança das intenções de voto, com 45%, seguido por Ciro Gomes, com 36,8%. Entre aliados do governo, o desempenho corrobora a avaliação de que o ministro é, atualmente, o nome mais competitivo do campo governista diante da reorganização da direita no Estado.
Em um cenário de confronto direto entre Elmano de Freitas e Ciro Gomes, o ex-presidenciável assume a liderança da disputa com 46% das intenções de voto, contra 33,2% do petista.
Para uma cientista política e pesquisadora do laboratório Lepem da Universidade Federal do Ceará (UFC), o atual cenário é resultado do que aconteceu em 2022, quando Ciro Gomes rompeu com o PT no segundo turno da eleição estadual. A especialista pontua que esse episódio acelerou fissuras que, atualmente, se manifestam de forma mais explícita no tabuleiro eleitoral.
Racha político e novo desenho eleitoral no Ceará
Embora Ciro Gomes ainda não tenha confirmado publicamente qual cargo vai disputar em 2026, o presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, avalia que o ex-governador foi levado ao partido para estar na cabeça de chapa do Estado.
Esse entendimento reúne lideranças que passaram a defender a construção de uma candidatura única para unificar o campo oposicionista.
Sob condição de anonimato, um assessor próximo à família Ferreira Gomes afirma considerar factível uma mudança no plano governista. Esse cenário será possível se Freitas abrir mão da tentativa de reeleição para viabilizar a candidatura de Camilo Santana ao Palácio da Abolição, caso a pressão eleitoral se consolide.
Na avaliação da especialista, a força do ex-governador vai além do PT. Ela aponta que o ministro conseguiu se descolar do petismo mais ideológico, o que ampliou a capacidade de diálogo com setores de centro e, até mesmo, da centro-direita.
Camilo Santana tem descartado uma possível candidatura. Mas em entrevista ao jornal, reconheceu que isso pode mudar.
Para um político, a influência de Camilo Santana sobre o atual Executivo estadual é, ao mesmo tempo, a sustentação e o desgaste da gestão Elmano de Freitas.
