Com a possibilidade de um segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em mente, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está trabalhando para garantir que os principais partidos do Centrão mantenham uma postura neutra na corrida pelo Palácio do Planalto. Nos últimos dias, os coordenadores da campanha petista têm se reunido com diferentes legendas, acreditando que o PSD, União Brasil e Republicanos não anunciarão apoio formal ao candidato do PL, permitindo que direções locais e filiados escolham seus lados conforme as alianças em suas regiões.
Os partidos Republicanos e União Brasil já declararam sua neutralidade para o primeiro turno. Para o PT, evitar um apoio explícito dessas siglas a Flávio seria uma vitória política significativa, pois isso ajudaria na busca pelos votos dos eleitores que optarem por outras candidaturas no primeiro turno.
A estratégia é replicar a configuração da primeira fase da eleição, onde Lula figura como o único candidato de esquerda entre os principais concorrentes e conta com respaldo de várias legendas. O petista busca a reeleição apoiado por uma coligação que inclui PT, PCdoB, PV, Federação Psol-Rede, PDT e PSB, enquanto Flávio se apresenta apenas pelo PL.
A posição neutra dos partidos do Centrão é considerada fundamental na campanha de Lula. Há uma percepção de que o presidente já consolidou apoios das siglas mais à esquerda durante o primeiro turno, e os demais candidatos ao Palácio do Planalto provavelmente não manifestarão apoio a ele na segunda fase. Personalidades como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) se posicionam como críticos contundentes do PT e líderes antissistema.
<pDiante desse panorama, a campanha petista passou a encarar a neutralidade como uma opção mais viável do que um apoio formal. O presidente do PT, Edinho Silva, tem participado ativamente dessas discussões com presidentes e representantes das legendas em busca de um entendimento sobre essa questão.
Conversas recentes sugerem que PSD, União Brasil e Republicanos deverão manter sua neutralidade. O PP, liderado pelo senador Ciro Nogueira (PI), ainda permanece como uma incógnita. Entre os membros do PT, há incerteza sobre qual será a posição da legenda em nível nacional caso ocorra um segundo turno. Nogueira planeja convocar uma reunião da federação no dia 6 de outubro, dois dias após o primeiro turno, para decidir sobre a postura nacional. Marcos Pereira, presidente dos Republicanos, afirmou que irá analisar o posicionamento para a segunda fase da eleição.
Para as legendas envolvidas, optar pela neutralidade também é visto como uma decisão vantajosa. Pesquisas revelam um cenário acirrado entre Lula e Flávio e essa estratégia evita compromissos prematuros com qualquer um dos candidatos neste momento.
Nos bastidores políticos, essa articulação se estende além da eleição presidencial e aborda também possíveis composições para um novo governo futuro. Ao iniciar seu terceiro mandato em janeiro de 2023, Lula alocou os 37 ministérios entre nove partidos políticos diferentes. O PT foi o partido com maior representação no governo federal, seguido por PSD, MDB e União Brasil.
Informações indicam que assessores de Lula têm mantido diálogos especialmente com o PSD de Gilberto Kassab, que disputa o Planalto no primeiro turno contra Caiado. Fontes afirmam que membros dessa legenda demonstraram interesse em expandir sua participação no Executivo. Antes das mudanças nas lideranças ministeriais para as eleições deste ano, o partido ocupava três pastas importantes. No entanto, oficialmente o PSD esclarece que as indicações de seus filiados para cargos no governo são pessoais e não implicam automaticamente em apoio ao governo.
Nesse contexto também surge a questão do Congresso Nacional. Em fevereiro de 2027 haverá eleições para as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e o senador Davi Alcolumbre (União-AP) devem buscar a recondução aos seus postos, sendo considerado importante alinhar-se com o futuro presidente.
A escolha pela neutralidade tanto por parte dos Republicanos quanto da União Brasil facilita essas manobras políticas. Integrantes do governo acreditam que manter essas duas legendas fora de um alinhamento formal com Flávio pode facilitar a formação de uma base parlamentar sólida no próximo ano com membros desses partidos. Um potencial complicador nessa situação é a presença do governador paulista Tarcisio de Freitas nos Republicanos, já visto como um possível candidato à presidência em 2030.
Em agosto passado, Motta declarou seu apoio à reeleição de Lula e expressou acreditar que isso seria “o melhor para o país”. Recentemente, ampliou sua participação em favor do petista ao usar um boné vermelho estampado com seu nome durante uma carreata no interior da Paraíba.
