Pam Bondi, uma figura proeminente e polêmica da administração do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi destituída do cargo de secretária de Justiça na última quinta-feira. Sua demissão encerra um período conturbado de 14 meses, marcado por tentativas de perseguições judiciais contra críticos do republicano e pela forma como gerenciou a divulgação dos documentos relativos ao caso de Jeffrey Epstein, um tema sensível no cenário político americano. O manejo do caso Epstein prejudicou sua imagem, um problema que temporariamente ficou em segundo plano devido aos conflitos no Irã.
No início de 2022, Bondi insinuou que possuía a suposta lista de clientes do financista Epstein, falecido em 2019, e que planejava divulgar documentos relacionados ao processo, algo que era uma antiga demanda entre seus apoiadores. Entretanto, ela acabou admitindo que a mencionada “lista de Epstein” não existia. Sua hesitação em liberar milhões de arquivos sob sigilo judicial foi alvo de críticas vindas de diferentes espectros políticos nos Estados Unidos.
Após a publicação dos documentos, Bondi enfrentou ataques pela maneira como isso ocorreu — o nome de Trump foi mencionado dezenas de milhares de vezes nos arquivos, com acusações graves dirigidas a ele. Além disso, algumas vítimas alegaram que seus nomes foram expostos indevidamente.
A deputada republicana Nancy Mace comentou sobre a situação: “Bondi tratou os Arquivos Epstein de forma lamentável e isso prejudicou seriamente o presidente Trump”. Recentemente, ela votou a favor da convocação de Bondi para depor em uma comissão da Câmara no dia 14 de abril.
Dentro do círculo mais próximo de Trump, havia um crescente descontentamento em relação à forma como Bondi lidava com os arquivos do caso Epstein. Acreditavam que suas declarações contribuíam para a percepção pública errônea de que a Casa Branca estava retendo informações importantes.
Particularmente frustrante para muitos foi seu comentário durante uma entrevista à Fox News em fevereiro de 2025, onde afirmou ter uma lista dos clientes de Epstein “sentada na minha mesa para revisão”. Mais tarde, o departamento esclareceu que essa lista não existia. Bondi então alegou que se referia à documentação geral relacionada à investigação e não a uma lista específica.
Em suas redes sociais, Trump elogiou Bondi: “Pam Bondi é uma grande patriota americana e uma amiga leal, que serviu fielmente como minha secretária de Justiça durante o último ano”. Ele revelou que ela estaria se movendo para um novo emprego importante no setor privado e anunciou Todd Blanche como seu sucessor interino.
Bondi expressou nas redes sociais sua satisfação ao liderar os esforços do presidente Trump para aumentar a segurança nos Estados Unidos. Ela descreveu esse trabalho como “a maior honra da minha vida”, destacando ainda a importância desse período para o Departamento de Justiça na história americana. No entanto, seu futuro profissional permanece incerto; rumores sugerem sua possível indicação para juíza ou uma transição para o setor privado mencionada por Trump pode ser apenas suposição.
Fiel a Trump, Bondi esteve à frente de mudanças significativas no Departamento de Justiça, incluindo investigações contra figuras consideradas adversárias do presidente. Entre os alvos estavam Jerome Powell, presidente do Fed; Letitia James, procuradora-geral de Nova York; James Comey, ex-diretor do FBI; e John Brennan, ex-diretor da CIA. O departamento também investigou as alegações sobre fraude nas eleições presidenciais de 2020 vencidas por Joe Biden.
Nesse processo, houve uma considerável diminuição da independência tradicional do departamento e um significativo êxodo de funcionários ocorreu. Isso resultou em unidades essenciais voltadas para combate à corrupção pública e segurança nacional debilitadas. Apesar disso, Trump continuava insatisfeito com a incapacidade dela em garantir condenações contra seus opositores — casos envolvendo Comey e James foram arquivados por um tribunal federal.
“Não podemos adiar mais isso; está destruindo nossa reputação e credibilidade. Eles me destituíram duas vezes e me indiciaram (cinco vezes!), POR NADA. A JUSTIÇA PRECISA SER FEITA AGORA!!!”, protestou Trump em setembro passado.
Bondi nega as alegações sobre politicização do Departamento de Justiça e defende sua missão como um esforço para restaurar a credibilidade da instituição após o que considerava excessos da administração Biden em processos federais contra Trump. Seus aliados sustentam que ela atuou na reestruturação interna com foco no combate à imigração ilegal e ao crime violento, além de promover mudanças necessárias em uma agência considerada tendenciosa contra conservadores.
Ela sempre demonstrou lealdade inabalável ao presidente publicamente ao elogiá-lo e defendê-lo no Congresso. Chegou até a exibir uma faixa com o rosto dele na fachada do Departamento.
