A possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial voltou a ser discutida em razão do aumento das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã. Embora o cenário desperte preocupações, especialistas acreditam que, por enquanto, o conflito permanece restrito a uma dimensão regional, mesmo após mais de um mês de combates.
A guerra já está afetando várias nações do Oriente Médio, seja diretamente ou indiretamente, o que intensifica o receio de que a situação possa se agravar. O professor Joe Maiolo, do King’s College em Londres, ressalta que para que uma guerra mundial aconteça é necessário o envolvimento direto das grandes potências.
Por sua vez, a historiadora Margaret MacMillan, da Universidade de Oxford, adverte que os conflitos podem sair do controle de maneira mais rápida do que se espera.
“As pessoas costumam acreditar que as guerras são meticulosamente planejadas… no entanto, elas frequentemente surgem devido a erros de cálculo”, comentou a historiadora durante uma entrevista ao programa The Global Story.
MacMillan menciona como exemplo a Primeira Guerra Mundial, que teve início após o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando e provocou uma reação em cadeia entre as alianças da Europa.
Ela aponta que o maior risco atual reside na possibilidade de uma escalada do conflito por parte do Irã ou seus aliados. “Acho que o país com mais chances de intensificar esse conflito é possivelmente o Irã ou seus parceiros”, afirmou.
Ações como ataques a rotas estratégicas ou o fechamento do Estreito de Ormuz poderiam prejudicar o fornecimento global de energia e envolver outras potências no confronto. Além disso, MacMillan alerta que crises regionais podem ter repercussões em outras partes do mundo.
- Efeito dominó e influência das potências: Nesse contexto, nações como China e Rússia poderiam tirar proveito da distração internacional para avançar em seus próprios interesses, como em Taiwan ou na guerra na Ucrânia. Contudo, Maiolo não vê uma escalada imediata como provável: “A ideia de que algo aconteça e a China atacará Taiwan simplesmente não faz sentido”.
Para ele, pode ser até vantajoso para os Estados Unidos manterem seu foco no Oriente Médio neste momento.
Além disso, ele observa que não há evidências concretas de que as principais potências estejam prontas para se envolver diretamente em um conflito global agora.
Os analistas também ressaltam a importância das decisões políticas nesse cenário. “Fazer a paz é mais complexo do que declarar guerra”, lembrou MacMillan ao citar o ex-primeiro-ministro francês Georges Clémenceau. Para ela, aspectos como orgulho, medo e estratégia podem prolongar os conflitos e ampliar seus efeitos.
Diplomacia como principal alternativa: Apesar dos riscos evidentes, a diplomacia continua sendo vista como o caminho mais eficaz para evitar uma escalada global. “É essencial entender o lado oposto… e manter canais de comunicação abertos”, enfatizou MacMillan.
Segundo ela, momentos críticos ao longo da história foram geridos graças ao diálogo entre as potências envolvidas.
Ademais, o receio da utilização de armas nucleares atua como um fator dissuasório. Para os especialistas consultados, esse equilíbrio delicado tende a barrar a expansão do conflito além das fronteiras regionais por ora. As informações foram extraídas de um portal noticioso local.
