No último domingo (27), o governo do Irã reafirmou suas exigências para reabrir o Estreito de Ormuz, mesmo após a recusa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em aceitar um plano apresentado por Teerã para restabelecer a navegação nessa importante via marítima.
“Nossas exigências estão bem definidas, e qualquer ação para a reabertura do Estreito de Ormuz está condicionada ao cumprimento dessas demandas. Não retrocederemos”, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, durante uma declaração transmitida pela televisão estatal. “Nunca fechamos as portas para a diplomacia ou para negociações, mas, ao mesmo tempo, não abrimos mão dos nossos direitos”, acrescentou.
Na sexta-feira (25), o Irã informou que havia encaminhado uma proposta aos EUA com o intuito de reabrir o estreito em até sete dias após a aceitação da mesma.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, esclareceu que essa proposta foi elaborada “em coordenação” com o Líder Supremo, Mojtaba Khamenei — que detém a autoridade máxima nas decisões da República Islâmica — e que uma equipe de seis pessoas com “autoridade decisória” foi formada para tratar do assunto.
Trump manifestou sua rejeição à proposta em entrevista a jornalistas nas proximidades da Casa Branca. “[Os líderes iranianos] desejam um acordo para abrir imediatamente o estreito porque estão perdendo influência rapidamente”, declarou ele.
Estreito de Trump
Pouco antes de anunciar sua negativa, Trump publicou um mapa em sua rede social Truth Social, onde o Estreito de Ormuz é denominado como “Estreito de Trump”. Contudo, o Irã afirmou que aguardará uma resposta oficial antes de decidir seus próximos passos.
<p“Estamos na expectativa de que os mediadores nos apresentem as posições definitivas e tomaremos nossa decisão com base nessas informações”, disse Araghchi.
O Estreito de Ormuz é vital, pois por ele transitava cerca de 20% dos hidrocarbonetos globais. Esse ponto estratégico se tornou o epicentro do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que teve início no final de fevereiro com bombardeios direcionados ao território iraniano.
A partir desse momento, a República Islâmica reivindica a soberania sobre a passagem marítima enquanto Washington implementa um bloqueio nos portos iranianos como resposta. Segundo informações do jornal Wall Street Journal, Trump está considerando retomar os bombardeios contra o Irã após as eleições legislativas de meio de mandato marcadas para novembro.
A última vez que os Estados Unidos atacaram solo iraniano foi em 1º de setembro, quando uma série de bombardeios resultou na morte de cinco pessoas e deixou dezenas feridas durante um evento festivo no sudeste do país, embora tenha havido ataques contra embarcações no Estreito de Ormuz desde então.
