Interdição do uso estético de PMMA por profissionais da medicina

A utilização do polimetilmetacrilato, conhecido pela sigla PMMA, foi oficialmente proibida para procedimentos estéticos e reparadores, conforme decisão do Conselho Federal de Medicina (CFM). Essa determinação está detalhada na Resolução nº 2.461/2026, recentemente divulgada pela entidade.

Segundo o CFM, a nova norma terá uma exceção: pacientes que vivem com HIV e enfrentam lipodistrofia, uma condição que altera a distribuição de gordura no corpo. Contudo, para a aplicação do PMMA, é imprescindível que seja realizada em “unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seguindo os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas estabelecidas pelo Ministério da Saúde”.

Em janeiro de 2025, o CFM fez um pedido à Anvisa para que fosse considerada a proibição do uso do PMMA em procedimentos estéticos. Na resposta da agência em julho do ano anterior, foi informado que não havia percebido “necessidade de adoção de medidas adicionais às já implementadas ou alteração das indicações aprovadas atualmente”.

A Anvisa concluiu que o risco-benefício associado ao PMMA era aceitável, embora tenha ressaltado que as indicações de uso existentes não previam sua “utilização indiscriminada para fins estéticos”. A agência também enfatizou que a regulação sobre aplicações fora das condições recomendadas na bula é responsabilidade dos conselhos profissionais.

A discussão sobre os riscos do PMMA se intensificou após relatos de mortes associadas a complicações decorrentes de procedimentos estéticos com essa substância. O caso mais recente mencionado envolve a morte de Roseli Vieira, que recebeu injeções nos glúteos e coxas em um consultório médico na cidade de São Paulo. A Polícia Civil está investigando o ocorrido.

Riscos associados ao PMMA

O polimetilmetacrilato é uma substância plástica não reabsorvível pelo organismo humano. Ele é frequentemente utilizado como preenchedor em gel para corrigir pequenas deformidades e também em casos de lipodistrofia – uma condição caracterizada pela perda de gordura facial em pessoas vivendo com HIV.

Além disso, o PMMA pode ser utilizado para correção volumétrica facial e corporal, abordando irregularidades e depressões no corpo por meio do preenchimento das áreas afetadas. No entanto, sua aplicação profunda na pele pode gerar sérias complicações, como infecções e rejeições pelo corpo. Por sua natureza não reabsorvível, o material adere a estruturas como músculos e ossos, tornando sua remoção extremamente difícil.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) desaprova o uso do PMMA em procedimentos estéticos. Em comunicado emitido no ano passado, a entidade reforçou que a aplicação fora das orientações médicas – inclusive nas pequenas deformidades e na lipodistrofia – “é extremamente perigosa”.

“Embora o produto esteja disponível no mercado, ele pode provocar complicações imediatas e tardias difíceis de resolver. Entre essas complicações estão nódulos, massas e processos inflamatórios ou infecciosos que podem resultar em danos estéticos e funcionais irreversíveis. (…) Estudos científicos indicam que complicações graves como necroses, cegueira, embolias e até óbitos ocorrem com maior frequência devido ao uso desse produto em comparação aos preenchedores absorvíveis”, afirma a nota da SBCP.

A Anvisa também expressou preocupações sobre os perigos associados ao uso inadequado do PMMA. Além dos riscos já citados, a agência ressalta que “o produto deve ser administrado apenas por médicos devidamente treinados” nos casos autorizados para prevenir complicações.

By Canoas Informa

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