No último domingo (3), a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que três pessoas morreram em decorrência de um possível surto de hantavírus a bordo de um cruzeiro no Atlântico.
As vítimas incluem um casal da Holanda e um cidadão alemão. A OMS está conduzindo “investigações detalhadas” sobre os casos suspeitos de hantavírus presentes na embarcação, que envolvem mais testes laboratoriais.
O surto em potencial foi detectado no navio MV Hondius, que partiu da Argentina e estava a caminho de Cabo Verde. Atualmente, o navio se encontra ancorado em Cabo Verde, com aproximadamente 150 passageiros e 70 tripulantes impossibilitados de desembarcar.
O que é o hantavírus?
O hantavírus é uma família de vírus transmitidos por roedores. A infecção em humanos geralmente ocorre pela inalação de partículas suspensas no ar que se originam das fezes secas desses animais.
As infecções costumam acontecer quando o vírus é liberado ao ar através da urina, fezes ou saliva de roedores, conforme indicado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA.
Embora seja menos comum, a transmissão também pode ocorrer por meio de mordidas ou arranhões feitos por roedores.
Esse vírus pode causar duas doenças sérias. A primeira delas é a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS, na sigla em inglês), que normalmente se inicia com fadiga, febre e dores musculares, evoluindo para dores de cabeça, tontura, calafrios e distúrbios abdominais. Caso os sintomas respiratórios apareçam, a taxa de mortalidade é cerca de 38%, segundo informações do CDC.
No Brasil, a condição é apresentada como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, conforme o Ministério da Saúde. Segundo essa instituição, nas Américas a hantavirose tem diferentes manifestações, desde doenças febris agudas até quadros pulmonares e cardiovasculares mais graves que podem evoluir para a síndrome da angústia respiratória (Sara).
A segunda doença mais prevalente causada pelo hantavírus globalmente é a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS, na sigla em inglês). Essa condição é mais severa e afeta principalmente os rins, com sintomas que podem incluir pressão arterial baixa, hemorragias internas e insuficiência renal aguda.
Estima-se que anualmente ocorram cerca de 150 mil casos de HFRS mundialmente, especialmente na Europa e na Ásia, conforme relatório dos Institutos Nacionais de Saúde. A China concentra mais da metade desses casos.
Por outro lado, o vírus Seoul — uma das principais cepas do hantavírus transmitidas por ratos-noruegueses (também conhecidos como ratos marrons) — está amplamente distribuído pelo mundo, incluindo os Estados Unidos.
Entre 1993 e 2024, o Brasil registrou 2.377 casos confirmados de hantavirose — ou SCPH (Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus). Desses registros, 937 resultaram em óbitos durante este período. De acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 70% das infecções ocorreram em áreas rurais do país.
Tratamento
Atualmente não existe um tratamento específico para infecções causadas pelo hantavírus. As autoridades sanitárias dos EUA aconselham cuidados sintomáticos que podem incluir oxigenoterapia, ventilação mecânica e administração de medicamentos antivirais ou diálise quando necessário.
Pacientes que apresentam sintomas graves podem necessitar de internação em unidades de terapia intensiva; alguns podem inclusive requerer intubação. Para minimizar a exposição ao vírus, recomenda-se evitar o contato com roedores nas residências ou locais de trabalho.
Além disso, o CDC sugere selar entradas em porões ou sótãos onde roedores possam acessar as casas. O uso adequado de equipamentos de proteção individual é recomendado ao limpar fezes desses animais para prevenir a inalação do ar contaminado.
