O belga Francis Halzen foi agraciado com o Prêmio Nobel de Física deste ano em reconhecimento à sua contribuição na detecção de neutrinos astrofísicos de alta energia e pela criação do IceCube, um observatório dedicado a esses fenômenos.
Halzen receberá um prêmio no valor de 12 milhões de coroas suecas (equivalente a R$ 6,2 milhões), que será entregue pela Assembleia do Nobel no Instituto Karolinska, na Suécia. O anúncio ocorreu na manhã de terça-feira (6). Nascido em 1944 em Tienen, na Bélgica, Halzen é professor na Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos.
Com o IceCube, Halzen implementou o maior detector mundial de partículas quase invisíveis, situado sob o gelo da Estação Amundsen-Scott no Polo Sul. Este projeto é operado por instituições estadunidenses.
Os neutrinos são partículas subatômicas que permeiam todo o Universo e apresentam uma peculiaridade: sua interação com a matéria é extremamente rara, tornando sua detecção uma tarefa desafiadora.
Trilhões desses neutrinos atravessam continuamente a Terra e até mesmo os corpos humanos sem causar efeitos perceptíveis. No entanto, em eventos raros, um neutrino pode colidir com um núcleo atômico, resultando na produção de outras partículas e em um pequeno brilho luminoso. Esse fenômeno é justamente o que permite identificar a passagem do neutrino.
Em 1988, Halzen sugeriu utilizar o gelo do Polo Sul como um imenso detector para esses partículas. A ideia levou à construção do IceCube, que foi erguido dentro de um quilômetro cúbico de gelo na Antártida e finalizado em 2011.
O IceCube é equipado com milhares de sensores de luz estrategicamente distribuídos no gelo. Quando um neutrino interage com um átomo, as partículas geradas nessa colisão podem emitir uma luz conhecida como radiação Cherenkov. Os sensores captam essa luz e permitem que os cientistas reconstruam informações sobre o neutrino, incluindo sua direção e energia.
A relevância desse método reside no fato de que os neutrinos atuam como mensageiros de eventos altamente energéticos no cosmos.
A comunidade científica já confirmou a existência de regiões no Universo capazes de acelerar partículas a níveis energéticos muito superiores aos obtidos nos aceleradores terrestres.
No entanto, ainda permanecem muitas questões não resolvidas sobre esses aceleradores cósmicos: quais são suas localizações, como operam e quais processos físicos ocorrem dentro deles.
