Em comparação com o resto do mundo, o brasileiro não trabalha muito. Uma pesquisa com dados de 160 países, cobrindo 97% da população global, revela que trabalhadores de todo o mundo destinaram em média 42,7 horas semanais a atividades remuneradas em 2022 e 2023. Os brasileiros ocupados em empregos formais e informais dedicaram, nesse mesmo período, 40,1 horas semanais em média ao trabalho.
O levantamento é do economista Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre, a partir de um novo banco de dados global de horas trabalhadas. Os pesquisadores utilizam dados domiciliares reunidos por diferentes organizações internacionais.
Disponível desde novembro do ano passado, o banco de dados confirmou relações entre características demográficas, de renda per capita, de impostos e transferências realizados por cada país e a quantidade de horas trabalhadas por seus cidadãos.
Sob qualquer desses critérios, o brasileiro trabalha menos do que seria esperado, provavelmente devido a uma questão cultural, uma preferência por maior quantidade de lazer.
Na comparação direta com outros países, o Brasil ocupa uma posição intermediária em horas trabalhadas. Quando levado em consideração o nível de produtividade e estrutura demográfica, o Brasil apresenta um desempenho inferior em termos de esforço global.
Na análise que inclui impostos e transferências, o Brasil também se posiciona de forma desfavorável comparado a outros países.
A relação entre produtividade e horas trabalhadas segue um padrão que varia de acordo com a riqueza do país. À medida que a produtividade aumenta, o número de horas trabalhadas também cresce. No entanto, em países mais ricos, os trabalhadores tendem a valorizar mais o lazer, levando a uma redução nas horas trabalhadas.
No Brasil, os trabalhadores optaram por trabalhar menos antes de atingirem níveis elevados de riqueza. De acordo com o levantamento, os brasileiros trabalham menos do que seria esperado considerando sua produtividade e perfil demográfico.
