Saúde

Descubra os motivos que mantêm o Brasil livre do Ebola ao longo de sua história

Por Canoas Informa 4 min de leitura

Atualmente, não há evidências de circulação do vírus Ebola no Brasil, conforme informações do Ministério da Saúde. O surto que está acontecendo em países da África Subsaariana, que resultou na morte de três voluntários brasileiros da Cruz Vermelha, apresenta um risco reduzido de se espalhar para o território nacional, uma vez que as condições necessárias para a transmissão do vírus são desfavoráveis.

Em uma conversa com o jornal Valor Econômico, Moacyr Silva, um infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, destacou três fatores que diminuem a probabilidade de o Brasil enfrentar uma situação sanitária grave semelhante àquelas observadas nos países africanos:

  • O Brasil não conta com o vetor natural de transmissão;
  • A enfermidade não é considerada endêmica no País;
  • O período de contágio é relativamente curto.

Silva explicou que a infecção por Ebola está relacionada à “interação entre seres humanos e a natureza”, caracterizando-se como uma zoonose. A transmissão normalmente ocorre através de morcegos infectados que transmitem o vírus para chimpanzés, os quais atuam como vetores intermediários antes de infectar os humanos. No Brasil, não existem esses animais contaminados que poderiam atuar como vetores naturais.

Quanto à transmissão entre indivíduos, o risco é considerado baixo, já que ela ocorre apenas quando a pessoa já apresenta sintomas; assim, “o vírus não é transmissível durante o período de incubação”.

Além disso, conforme diretrizes da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, o Brasil não opera voos diretos para as áreas afetadas pelo atual surto de Ebola, o que limita a movimentação de pessoas e a possibilidade de contaminação.

“Outro aspecto relevante é que essa doença possui uma alta taxa de mortalidade, variando entre 40% e 90%, levando frequentemente à morte do paciente em um prazo de duas semanas, o que também contribui para diminuir a janela de transmissão”, acrescentou Silva.

Diante do alerta emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil implementou seu Plano Nacional de Contingência e aumentou a vigilância em relação aos viajantes que estiveram recentemente na República Democrática do Congo e em Uganda, conforme informações fornecidas pelo Ministério da Saúde.

A pasta também esclareceu que o plano inclui medidas para identificação precoce de casos suspeitos, notificação imediata das autoridades competentes, isolamento seguro dos pacientes e monitoramento dos contatos com o objetivo de minimizar os riscos de transmissão.

Quais países estão enfrentando surtos de Ebola? O Centro Africano para Controle e Prevenção de Doenças (CDC Africa) divulgou na sexta-feira (22) que dez nações africanas estão sob ameaça devido ao surto. Essas nações incluem:

  • Sudão do Sul;
  • Ruanda;
  • Quênia;
  • Zâmbia;
  • República Centro-Africana;
  • Tanzânia;
  • Etiópia;
  • Angola;
  • Congo;
  • Burundi.

Aumento do risco

No dia 22 de setembro (sexta-feira), a OMS classificou o risco do Ebola na República Democrática do Congo como “muito alto”, sendo este país o epicentro do surto da rara cepa Bundibugyo.

Até a semana anterior, haviam sido confirmados 82 casos e sete mortes decorrentes da infecção por Ebola naquele país. Contudo, nesta segunda-feira (25), a OMS revisou esse número e relatou um aumento nas mortes suspeitas para 220.

A Cruz Vermelha anunciou no sábado (23) sobre a morte de três voluntários brasileiros na República Democrática do Congo devido à infecção por Ebola. Em nota oficial, a organização lamentou: “Eles perderam suas vidas lutando bravamente na linha de frente contra essa doença.”

Seguindo as orientações da OMS, o Brasil não deve implementar fechamento das fronteiras ou restrições relacionadas a viagens e comércio, conforme comunicou o Ministério da Saúde.

Ebola: definição e sintomas

Ebola é uma doença rara e potencialmente fatal causada por um vírus. Este vírus infecta principalmente animais – especialmente morcegos frugívoros – mas surtos entre humanos podem ocorrer quando esses animais são consumidos ou manuseados.

Os sintomas podem levar entre dois e 21 dias para aparecerem e geralmente iniciam-se com sinais semelhantes aos da gripe: febre alta, dor intensa de cabeça e cansaço. Em seguida, podem surgir vômitos e diarreia severa, com potenciais consequências graves como falência múltipla dos órgãos. Alguns pacientes ainda podem apresentar hemorragias internas e externas.

A transmissão entre pessoas acontece através do contato com fluidos corporais contaminados, incluindo sangue ou vômito. As informações aqui apresentadas foram extraídas das reportagens veiculadas em veículos respeitáveis.

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