Um novo método chamado vCATCH foi desenvolvido por pesquisadores do Scripps Research Institute para permitir visualizar, célula por célula, onde um remédio se liga em todo o corpo. A técnica produz mapas detalhados da interação de medicamentos com órgãos como cérebro, coração, pulmões e fígado, algo que antes era considerado inacessível.
Antes desse avanço, os ensaios clínicos indicavam se um medicamento funcionava e quais eram os efeitos adversos mais comuns, mas não mostravam quais células estavam envolvidas. O vCATCH revela o destino do medicamento com resolução celular, alcançando regiões profundas dos órgãos.
Para que a técnica funcione, é necessário que o medicamento seja do tipo covalente, que se liga permanentemente às moléculas que precisa bloquear no organismo. Os pesquisadores acrescentam uma etiqueta química invisível ao fármaco antes de aplicá-lo nos animais, o que permite identificar exatamente onde o medicamento se fixou nos órgãos.
Os dados gerados pela técnica são enormes e demandam o uso de inteligência artificial para identificar as células marcadas. Os testes realizados com dois medicamentos contra o câncer já em uso clínico mostraram padrões de distribuição diferentes e inesperados, o que pode ajudar a compreender melhor os efeitos colaterais associados a esses remédios.
O vCATCH pode se tornar uma ferramenta estratégica no desenvolvimento de novos remédios, ajudando a identificar riscos antes da aprovação dos tratamentos e tornando o processo mais seguro para os pacientes.
