Crescimento do financiamento habitacional com poupança em 2026 se destaca mesmo diante de saques elevados

No ano de 2026, o crédito imobiliário sustentado pela poupança apresentou um crescimento significativo, mesmo diante da pressão sobre suas fontes tradicionais de financiamento.

Em agosto, os empréstimos provenientes do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) alcançaram R$ 16,97 bilhões, representando um aumento de 46,6% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, conforme reportado pela Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança).

Esse montante é o terceiro maior registrado para um mês de agosto nos últimos 25 anos. No acumulado entre janeiro e agosto de 2026, os financiamentos totalizaram R$ 132,5 bilhões, um crescimento de 37,5% em relação ao período correspondente do ano passado.

Essa evolução ocorre em um contexto marcado por taxas de juros elevadas e mudanças na estrutura de financiamento do crédito habitacional. Embora a concessão esteja aumentando, a poupança — que historicamente financia uma parte significativa dos empréstimos para habitação — continua apresentando perda de recursos.

Em agosto, a diferença entre saques e depósitos nas cadernetas do SBPE atingiu R$ 9,5 bilhões. Essa saída líquida foi mais que o dobro do registrado no mesmo mês de 2025, quando somou R$ 4,7 bilhões. O saldo total da poupança caiu 0,62% em relação a julho, totalizando R$ 757,2 bilhões e registrando uma diminuição de 0,63% em comparação ao ano anterior.

No acumulado dos primeiros oito meses de 2026, a captação líquida da poupança foi negativa em R$ 47 bilhões. Embora este valor seja expressivo, representa uma leve melhoria em relação aos R$ 48,3 bilhões que saíram no mesmo intervalo do ano passado.

A análise dos dados de agosto também revela uma estabilização em relação aos meses anteriores. O volume financiado pelo SBPE teve uma queda de 19% na comparação com julho; no entanto, ainda se mantém elevado quando comparado tanto à média histórica quanto ao mesmo mês do ano anterior.

Considerando os últimos doze meses até agosto, os financiamentos destinados à compra e construção de imóveis somaram R$ 192,4 bilhões, o que marca um crescimento de 20,2% frente aos doze meses anteriores.

No que diz respeito ao número de transações realizadas em agosto, foram financiados cerca de 46,8 mil imóveis entre compras e construções. Este total representa uma queda de 19,2% em relação a julho; porém aumentou em 27,5% quando comparado anualmente. Esse resultado é o sexto maior registrado para um mês de agosto na série histórica da Abecip.

<pDurante os primeiros oito meses do ano, foram financiados com recursos da poupança um total de 384,6 mil imóveis — alta de 35,9% se comparado ao mesmo período do ano anterior. Em um intervalo de doze meses até agora, o número totalizou 559,2 mil unidades com crescimento também na ordem de 20,2%.

Por outro lado, as operações financeiras que utilizam recursos livres dos bancos apresentaram uma trajetória inversa. Segundo dados da Abecip, essas operações somaram apenas R$ 1,31 bilhão em agosto — uma queda acentuada de 63,3% em relação ao mesmo mês do ano passado.

No total acumulado deste ano até agora, esse volume atingiu R$ 11,15 bilhões — retração de 33,9%. Em termos quantitativos foram financiados apenas cerca de 62,1 mil imóveis entre janeiro e agosto deste ano; uma diminuição significativa de 35,5% na comparação anual.

A elevação nas concessões por meio da poupança ocorre em um mercado imobiliário que também está experimentando valorização nos preços. Nos últimos doze meses até agosto deste ano, o IGMI-R (índice da Abecip que monitora os preços dos imóveis residenciais) registrou uma alta acumulada de 14,73%. Quando considerado o IPCA como parâmetro para inflação no mesmo período a valorização real dos imóveis foi próxima a 10,09%.

By Canoas Informa

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