O recente desentendimento público entre os membros da família Bolsonaro tem como motivo central a disputa pelo protagonismo político enquanto o ex-presidente cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
No último domingo (30), durante um evento no Ceará, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro fez críticas à aliança política local entre o partido do clã Bolsonaro e Ciro Gomes, liderada pelo deputado André Fernandes. Em resposta, os filhos do ex-presidente criticaram abertamente Michelle, acusando-a de desrespeitar a orientação do patriarca da família.
O conflito teve início na semana passada, quando Michelle fez uma piada em um evento, no mesmo dia em que o senador Flávio Bolsonaro se autoproclamou porta-voz do pai, sem ter combinado com a madrasta.
No evento, Michelle compartilhou detalhes íntimos sobre sua relação com Bolsonaro e fez comentários que os filhos consideraram inadequados. Isso resultou em Flávio alertando para o cuidado com as palavras, especialmente em meio à preocupação de um possível vazamento comprometedor.
O motivo principal dessa discordância foi a escolha do candidato do partido Bolsonaro para representar a família no Senado por Santa Catarina. Enquanto Carlos Bolsonaro foi escolhido pelo pai, Michelle tem preferência por Caroline de Toni. A situação se agravou quando Flávio se declarou como porta-voz do pai, sem consultar Michelle.
Mesmo tentando resolver a questão pessoalmente, Michelle se viu em meio a uma disputa de poder interna na família Bolsonaro. Aliados da ex-primeira-dama afirmam que suas declarações no Ceará não tinham a intenção de desautorizar o ex-presidente, mas sim refletiam uma divergência conhecida com Ciro.
Apesar disso, os filhos interpretaram o discurso de Michelle como uma interferência não autorizada em uma negociação que, segundo eles, tinha a aprovação de Bolsonaro.
